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Coronavírus perdeu força? Declaração abre polêmica na Itália

Médico defendeu que, clinicamente, Sars-CoV-2 "não existe mais"

1 jun 2020
10h16
atualizado às 10h24
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Uma declaração do diretor de um importante hospital da Itália abriu um debate sobre o possível enfraquecimento do coronavírus Sars-CoV-2, no momento em que o país tenta retomar a normalidade sob o temor de uma nova escalada dos contágios.

Hidroxicloroquina só poderá ser usada no âmbito de testes clínicos na Itália
Hidroxicloroquina só poderá ser usada no âmbito de testes clínicos na Itália
Foto: ANSA / Ansa

Alberto Zangrillo, diretor da UTI do Hospital San Raffaele, de Milão, disse no último domingo (31), em entrevista à emissora pública Rai, que, "clinicamente, o novo coronavírus não existe mais".

"Cerca de um mês atrás, ouvíamos epidemiologistas com medo de uma nova onda no fim de maio e início de junho, e quiçá quantos leitos de terapia intensiva poderiam ser ocupados. Na realidade, o vírus, do ponto de vista clínico, não existe mais", declarou Zangrillo.

Em entrevista à ANSA, Matteo Bassetti, diretor da clínica de doenças infecciosas do Hospital San Martino, de Gênova, seguiu pela mesma linha. "A potência que o vírus tinha dois meses atrás não é a mesma que ele tem hoje. É evidente que a doença Covid-19 é diferente hoje. Sua apresentação clínica é, de fato, muito mais leve", acrescentou o médico, usando como base sua experiência no atendimento a infectados pelo novo coronavírus.

Segundo Bassetti, os pacientes recebidos no San Martino nas últimas "quatro ou cinco semanas" não são mais "casos tão graves como os de março e abril".

Polêmica - A hipótese de enfraquecimento do Sars-CoV-2, no entanto, é contestada por autoridades sanitárias do governo italiano.

O presidente do Conselho Superior da Saúde e membro do Comitê Técnico-Científico (CTS) criado pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte para combater a pandemia, Franco Locatelli, disse sentir um "absoluto desconcerto" pelas declarações de Zangrillo.

"Basta olhar o número de novos casos a cada dia para ter a demonstração da persistente circulação do vírus na Itália", afirmou. Segundo Locatelli, declarações perigosas que "esquecem o drama vivido pelo país" arriscam "desestimular" a mobilização social em relação às medidas de distanciamento social.

Além disso, o presidente do Conselho Superior da Saúde ressaltou que "até olhos leigos" percebem que a gestão dos doentes foi "facilitada pelo menor número de casos em relação ao pico e pelo que se aprendeu nos últimos meses".

Já o coordenador do CTS, Agostino Miozzo, disse que "afirmações sem suporte científico" são "palavras superficiais" e "decisivamente perigosas em um momento crítico".

Números em queda - A Itália reabriu o comércio, praias, salões de beleza, museus, restaurantes e igrejas há 14 dias, mas a medida ainda não produziu efeitos negativos na curva epidêmica.

Entre 10 e 16 de maio, antes do relaxamento, o país teve média de 927 novos casos por dia, índice que caiu para 652 e 477 nas duas semanas seguintes, respectivamente. Já a média de mortes diárias passou de 195 entre 10 e 16 de maio para 86 entre os dias 24 e 30.

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