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Alta de mortes em SP é efeito de relaxamento da quarentena

De acordo com epidemiologista da USP, liberação das praias do litoral nas últimas semanas foi feita sem nenhum cuidado

22 set 2020
06h50
atualizado às 07h28
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A flexibilização da quarentena teve efeito direto na interrupção do cenário de queda de mortes pelo novo coronavírus no Estado de São Paulo, mas há outros fatores, afirma Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina da Universsidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto. "Essa queda se deu em um mês que teve cinco semanas seguidas de um feriado. Com esse excesso de fins de semana (em que geralmente o número de casos e óbitos é menor), o número diminui. É um retorno ao patamar em que se encontrava", afirma.

Turista se aglomeraram no litoral paulista com a liberação das praias
Turista se aglomeraram no litoral paulista com a liberação das praias
Foto: Marcela Mattos/O Fotográfico / Estadão

O epidemiologista Eliseu Waldman, da Faculdade de Saúde Pública da USP, afirma que o processo de reabertura de alguns setores pode ter influência sobre a situação estável. A liberação das praias do litoral nas últimas semanas, no seu entender, foi feita sem nenhum cuidado. "Nem sempre a população percebe que essa abertura tem de ser cuidadosa", acrescenta Celso Granato, professor de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele acredita que o dado é motivo de preocupação e pode ser indicativo de aumento de casos nas próximas semanas. "As pessoas entenderam que poderia ser como antes e não é verdade. O vírus ainda circula."

Já o infectologista Carlos Magno Fortaleza, do Departamento de Doenças Tropicais da Medicina da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Botucatu e integrante do Comitê de Contingência do governo paulista, afirma que os números de mortes têm um atraso de duas a quatro semanas em relação à incidência dos casos.

Assim, atribuir a interrupção da queda ao feriado de 7 de setembro pode ser um erro por ser um evento ainda recente. "A diminuição que vimos é resultado de um equilíbrio muito instável, de pessoas que se movimentam muito e já estão imunes, e de quem fica mais em casa e não está imune. É um equilíbrio frágil. Mas o Plano São Paulo tem a possibilidade de recuar", observa ele.

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