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Confronto entre gangues rivais deixa 46 mulheres mortas em prisão de Honduras

21 jun 2023 - 12h22
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Governo hondurenho afirma que briga entre gangues rivais, seguida de incêndio, foi resposta a ações para tentar colocar sob controle as prisões do país.Um confronto entre gangues rivais que resultou num incêndio numa penitenciária feminina perto de Tegucigalpa, em Honduras, nesta terça-feira (20/06), deixou ao menos 46 mulheres mortas, a maioria delas queimadas, segundo o Ministério Público (MP).

Familiares aguardam notícias diante da pentenciária onde ocorreu o confronto, em Tamara
Familiares aguardam notícias diante da pentenciária onde ocorreu o confronto, em Tamara
Foto: DW / Deutsche Welle

No instituto de medicina legal de Tegucigalpa "deram entrada 46 corpos" de vítimas do confronto no presídio Centro Feminino de Adaptação Social (Cefas), localizado na cidade de Tamara, a 25km ao norte de Tegucigalpa, afirmou o MP.

A polícia inicialmente comunicou que havia 41 mulheres mortas, algumas queimadas e outras mortas a tiros, sem especificar se eram todas presidiárias.

Há relatos de que ao menos mais cinco mulheres teriam ficado feridas e foram levadas a um hospital de Tegucigalpa. O Cefas alojava 900 detentas e ficou parcialmente destruído pelo fogo.

Até a manhã desta quarta-feira, 23 cadáveres haviam sido identificados e entregues às famílias, todos com marcas de tiros, segundo o MP.

A presidente da associação de familiares de presidiários do país, Delma Ordóñez, disse que a briga e o incêndio no Cefas aconteceram depois de as autoridades criarem novas regras dentro das prisões.

Segundo ela, integrantes de uma gangue entraram no setor de outra gangue e o incendiaram. Ela acrescentou que as mortas eram da gangue Mara Salvatrucha, o que lança suspeita de que o ataque seria de autoria da gangue rival Barrio 18.

A presidente hondurenha, Xiomara Castro, demitiu o ministro da Segurança, Ramón Sabillón, e colocou no cargo o chefe da Polícia Nacional, Gustavo Sánchez.

A vice-ministra da Segurança, Julissa Villanueva, declarou estado de emergência na prisão e ordenou intervenção imediata. Ela garantiu que as autoridades "não vão tolerar vandalismo ou irregularidades".

Villanueva declarou que o confronto foi "produto das ações do crime organizado" em resposta à intervenção anunciada pelas autoridades nas prisões de Ilama, em Santa Bárbara, no oeste do país, e La Ceiba, no Caribe.

A vice-ministra foi escolhida pela presidente hondurenha para liderar uma comissão de intervenção nas prisões do país, depois que vários confrontos em quatro prisões, em abril, deixaram uma pessoa morta e sete feridas.

O sistema penitenciário hondurenho, formado por 26 prisões, é considerado uma "bomba-relógio" devido à superlotação, problemas de infraestrutura e grande número de presos em prisão preventiva.

Ela então anunciou um plano para pôr sob controle as prisões do país, onde estão cerca de 20 mil detentos, e que inclui um desarmamento real e o bloqueio total de sinal telefônico nos cárceres.

Castro prometeu reverter o "narcoestado" e combater as gangues. Em dezembro, ela suspendeu garantias constitucionais para permitir que a polícia realize detenções sem ordem judicial.

vg/as (Efe, AFP)

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