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Compra recorde da China eleva exportação de petróleo do Brasil ao 2º maior nível da história

8 abr 2026 - 16h36
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A China importou em março um volume recorde de petróleo do ‌Brasil, impulsionando as exportações brasileiras da commodity ao segundo maior nível da série histórica, em meio a uma reorganização dos fluxos globais de energia após as disrupções no Oriente Médio.

O país asiático comprou 1,6 milhão de barris por dia (bpd) de petróleo brasileiro no mês passado, maior volume já registrado e equivalente a 67% de todas as exportações do Brasil, segundo dados oficiais do governo federal. O montante superou o recorde anterior, de cerca de 1,46 milhão de bpd, registrado em maio de 2020.

"O avanço das exportações já era esperado, ⁠conforme o fechamento do Estreito de Ormuz resultou em uma busca intensa de países importadores por produtos providos por outras origens, encontrando no ‌mercado brasileiro parte da oferta perdida no Oriente Médio", afirmou Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Ele observou, com base em dados do governo, que a Índia foi o segundo maior destino das exportações de petróleo do Brasil em março, respondendo por ‌7% das cargas, com país asiático buscando também alternativas para lidar com as ‌dificuldades para atravessar o Estreito de Ormuz, por onde passava antes da guerra no Irã cerca de 20% dos fluxos globais ⁠da commodity.

"Essa maior participação da Ásia acaba refletindo a necessidade do continente de diversificar ainda mais os seus fornecedores, com o Brasil se beneficiando desse cenário e escoando um maior volume de petróleo para o exterior."

Na sequência da China e Índia, aparece entre os principais destinos do petróleo brasileiro a Espanha, com 6,7%, e Estados Unidos, com 6,1%, disse Cordeiro.

As exportações totais de petróleo do Brasil atingiram 2,5 milhões de bpd em março, alta de 12,4% sobre fevereiro e o segundo maior da história, atrás apenas de março de 2023.

Cordeiro ‌ponderou que a abertura do Estreito de Ormuz, com a trégua na guerra anunciada na véspera, deve aliviar a pressão asiática, o que ‌poderia resultar em uma menor busca do petróleo ⁠brasileiro -- dada a proximidade geográfica e ⁠os benefícios logísticos desse comércio dos países do Golfo Pérsico com o continente.

"Ao mesmo tempo, a retomada gradual dos fluxos pelo Estreito de Ormuz é ⁠um fator que deve garantir a manutenção de volumes elevados de vendas do ‌Brasil para alguns consumidores da região, principalmente ‌China e Índia", acrescentou.

DIESEL

Enquanto as exportações de petróleo avançaram, o Brasil reduziu de forma significativa as importações de diesel, um alerta para o país que importa cerca de 25% de suas necessidades.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as compras externas do combustível somaram 1,05 bilhão de litros em março, queda de 25% em relação a ⁠fevereiro.

Para Cordeiro, "a redução expressiva das cargas destinadas ao Brasil reflete tanto um aumento significativo da competição pelo produto no mercado internacional, quanto pelo avanço dos preços do produto importado que chega aos portos brasileiros".

A redução foi sentida principalmente nas cargas provenientes dos Estados Unidos, apontaram os dados. A participação do diesel norte-americano nas importações brasileiras caiu para menos de 1% em março, ante 8,3% no mês anterior.

Segundo o analista da StoneX, "a diminuição do share norte-americano reflete, provavelmente, um redirecionamento ‌das cargas de diesel exportado pelo país para outras regiões que vêm pagando prêmios maiores ao combustível, principalmente a Ásia -- que vem sentindo mais os impactos com a suspensão dos fluxos de derivados fósseis pelo Estreito de Ormuz.

Em meio à menor oferta norte-americana, ⁠a Rússia ampliou sua presença no mercado brasileiro, passando de uma participação de 58% em fevereiro para 75% em março, mesmo com volume semelhante de exportações realizadas em fevereiro, segundo Cordeiro.

"Apesar dos ataques ucranianos contra portos ocidentais estratégicos da Rússia em meados de março e uma redução temporária das exportações de combustíveis, é esperado que os impactos dessa menor oferta sejam sentidos nas cargas programadas para abril", disse Cordeiro.

Outro ponto de destaque foi a manutenção da participação da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, com cada um respondendo por cerca de 130 milhões de litros exportados ao Brasil no mês.

"Tal cenário reflete ou impactos maiores do fechamento do Estreito de Ormuz para as cargas previstas para abril, ou uma capacidade de escoamento desses produtos pelo Mar Vermelho", afirmou o analista.

Para os próximos meses, o cenário segue cercado de incertezas.

"Para abril e maio, as incertezas persistem. O acordo de cessar-fogo temporário entre EUA e Irã deve aliviar no curtíssimo prazo essa disputa pelas cargas no mercado internacional, com o Golfo Pérsico escoando um montante maior de produtos para outras regiões. Ainda assim, a falta de uma resolução definitiva para o conflito pode resultar em novos bloqueios no Estreito de Ormuz, o que manteria um balanço global bem estressado", disse Cordeiro.

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