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O monstruoso buraco negro recém-descoberto que engole um Sol a cada dois dias

Astrônomo da Universidade Nacional Australiana afirma que, se o buraco negro - distante 12 bilhões de anos luz da Terra - estivesse na Via Láctea, ele pareceria dez vezes mais brilhante que uma lua cheia e eliminaria todas as estrelas no céu.

18 mai 2018
15h55
atualizado às 19h59
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Um grupo de astrônomos australianos descobriu um super buraco negro brilhante, que cresce de uma forma nunca antes observada e é capaz de absorver uma massa equivalente à do Sol a cada dois dias.

"Se tivéssemos esse monstro no centro de nossa Via Láctea, ele pareceria dez vezes mais brilhante que uma lua cheia e eliminaria todas as estrelas no céu", diz o astrônomo Christian Wolf.
"Se tivéssemos esse monstro no centro de nossa Via Láctea, ele pareceria dez vezes mais brilhante que uma lua cheia e eliminaria todas as estrelas no céu", diz o astrônomo Christian Wolf.
Foto: ESA/Hubble/NASA / BBC News Brasil

À primeira vista, a existência de um buraco negro que brilha parece uma contradição. A explicação passa pelo próprio tamanho do objeto astronômico, com uma massa equivalente a 20 milhões de vezes a do nosso Sol, e também pela acelerada velocidade de expansão.

"Esse buraco negro está crescendo tão rapidamente que é milhares de vezes mais brilhante que uma galáxia inteira, por causa de todos os gases que absorve diariamente e que causam muito atrito e calor", explicou Christian Wolf, da Escola de Astronomia e Astrofísica da Universidade Nacional Australiana (ANU, na sigla em inglês).

Objetos como o identificado pelos australianos são extremamente raros e é a primeira vez que astrônomos descobrem um que cresce a essa velocidade. O buraco negro foi detectado a 12 bilhões de anos luz de distância da Terra, com o uso do telescópio SkyMapper.

Brilho espetacular

Esse tipo de buraco negro é conhecido como quasar, astro localizado em distâncias extremas e repleto de energia e luz. Os quasares são os astros mais brilhantes do Universo.

Eles se formam após a colisão de duas galáxias, como previamente comprovado com dados coletados pelo telescópio espacial Hubble.

"Se tivéssemos esse monstro no centro de nossa Via Láctea, ele pareceria dez vezes mais brilhante que uma lua cheia e eliminaria todas as estrelas no céu", diz o astrônomo Christian Wolf.

Além de intensa, a luz desse "monstro" recém-descoberto era, principalmente, ultravioleta, apesar de também irradiar raios que "tornariam a vida impossível na Terra se estivesse no centro de nossa Via Láctea", segundo o astrônomo australiano.

O telescópio Skymapper detectou essa luz quando ela se tornou vermelha em seu caminho de bilhões de anos em direção à Terra e, em seguida, o satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, confirmou que se tratava de um quasar.

No entanto, ainda é tratado como mistério por astrônomos o fato desse buraco negro ter crescido tanto e tão rápido. Christian Wolf acredita que fenômenos como esse podem ser usados como referência para observar e estudar as primeiras galáxias que se formaram no Universo.

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