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Caso Sarah: Após mais de dois anos, começa o júri dos acusados por matar estudante da UFRGS na Ilha das Flores

Sarah Domingues fazia levantamento para o trabalho de conclusão de curso quando foi atingida por tiros; comerciante apontado como alvo da emboscada também morreu

17 set 2026 - 12h31
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Resumo
Começou em Porto Alegre o júri de três acusados pelo duplo homicídio qualificado da estudante da UFRGS Sarah Domingues e do comerciante Valdir Pereira, mortos a tiros em janeiro de 2024 na Ilha das Flores. Sarah realizava pesquisas de campo para seu TCC sobre enchentes quando foi baleada por estar próxima a Pereira, apontado como o real alvo de uma facção criminosa local. Presos desde fevereiro de 2024, os réus enfrentam o julgamento sob forte comoção e manifestações por justiça.

Começou na manhã desta quinta-feira (17), em Porto Alegre, o julgamento dos três homens acusados de envolvimento na morte da estudante da UFRGS Sarah Silva Domingues, de 28 anos, e do comerciante Valdir dos Santos Pereira, de 53. O crime ocorreu em janeiro de 2024, na Ilha das Flores, enquanto Sarah realizava uma pesquisa acadêmica.

Foto: Porto Alegre 24 Horas / Porto Alegre 24 horas

Respondem ao processo Leonardo da Silva Mallet, Irineo Lopes Kaiper e Jessé Gonçalves Kaiper. Eles são acusados de duplo homicídio qualificado, com agravantes relacionados ao motivo torpe, ao uso de arma de fogo e à dificuldade de defesa das vítimas. Os três permanecem presos desde fevereiro de 2024.

A previsão é de que o Tribunal do Júri se estenda até sexta-feira (18). Ao longo das sessões, devem ser ouvidas 14 pessoas: cinco testemunhas indicadas pela acusação e nove pela defesa.

Em frente ao Foro Central, familiares e amigos de Sarah realizam uma manifestação pedindo justiça. A promotora Lúcia Helena Callegari, que atua na acusação ao lado de Octávio Cordeiro Noronha, afirmou que espera uma resposta judicial que reconheça a gravidade do caso e preserve a memória das vítimas.

Estudante pesquisava efeitos das enchentes

O crime aconteceu por volta das 19h30min de 23 de janeiro de 2024, na Rua do Pescador. Sarah era aluna de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e fazia entrevistas e levantamentos para o trabalho de conclusão de curso sobre as enchentes nas ilhas da Capital.

Ela foi atingida pelos disparos e morreu no local, apesar do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Valdir também foi baleado e não resistiu. Conforme a investigação policial e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o comerciante seria o verdadeiro alvo da ação. Ele teria desavenças com integrantes de uma facção criminosa e, segundo a acusação, discordava da atuação do grupo na região.

A tese investigativa é de que a execução teria sido ordenada em meio a uma disputa entre organizações criminosas. Sarah, que estava no local por causa da pesquisa universitária, teria sido atingida por estar próxima de Valdir no momento do ataque.

Inicialmente, quatro pessoas foram denunciadas. No entanto, a Justiça decidiu que uma delas, apontada como irmã do suposto mandante, não deveria ser submetida ao Tribunal do Júri por falta de provas suficientes.

Trajetória marcada pela universidade e pelo movimento estudantil

Natural de Cotia, no interior de São Paulo, Sarah passou a infância e a adolescência em Campo Limpo Paulista, onde viveu com a mãe e os três irmãos. Ela perdeu o pai aos sete anos.

Depois de não conseguir uma vaga na Universidade de São Paulo (USP), decidiu prestar vestibular para a UFRGS. Em 2015, mudou-se para Porto Alegre, mesmo sem conhecer o Rio Grande do Sul, e iniciou a graduação em Arquitetura e Urbanismo.

Nos últimos semestres do curso, Sarah também se envolveu com o movimento estudantil e chegou a ocupar o cargo de diretora do Diretório Central dos Estudantes da UFRGS. Ela planejava se casar com o namorado.

Após a morte da estudante, o Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura passou a se chamar DAFA Sarah Domingues, UFRGS, em homenagem à aluna.

Porto Alegre 24 horas
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