Sub-registro de nascidos vivos cai a menos de 1% pela primeira vez no Brasil
Norte é a região com maiores taxas de sub-registros tanto de nascimentos quanto de óbitos
O sub-registro de nascidos vivos em 2024 foi de 0,95% no Brasil, percentual pela primeira vez menor que 1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador, divulgado nesta quarta-feira, 20, refere-se ao número de nascimentos que não foram registrados em cartório até o final do primeiro trimestre do ano seguinte, neste caso, 2025.
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A queda abaixo dos 1% é um marco para o IBGE, que, com a diminuição do sub-registro no Brasil, tem o intuito de melhorar a fidedignidade das estatísticas demográficas do País. O instituto considera ainda que "o sub-registro de nascimento, em particular, constitui um obstáculo ao exercício pleno da cidadania".
Os dados divulgados nesta quarta dão conta também das subnotificações de nascimento. Neste caso, são contabilizados os nascimentos que não foram notificados ao Ministério da Saúde. O percentual é menor do que os sub-registros, com apenas 0,39% de subnotificação.
Segundo o IBGE, esses resultados "posicionam o Brasil próximo à meta de cobertura universal de registro de nascimentos", conforme preconizado pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).
O instituto destaca, porém, que mesmo a taxa residual de sub-registro de 0,95% representa, aproximadamente, 22.902 crianças sem identidade legal, "com implicações diretas para o acesso a serviços básicos essenciais, como saúde, educação e programas sociais".
"A ausência do registro civil de nascimento constitui barreira ao pleno exercício da cidadania e à efetivação de direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente", afirma o IBGE.
As Unidades da Federação com as maiores taxas de sub-registro foram Roraima (13,86%), Amapá (5,84%), Amazonas (4,40%), Piauí (3,98%) e Sergipe (3,10%), todas localizadas nas regiões Norte e Nordeste. Em contraste, as menores taxas foram registradas no Paraná (0,12%), Distrito Federal (0,13%), São Paulo (0,15%), Rio Grande do Sul (0,21%) e Minas Gerais (0,23%), concentradas nas regiões Sul e Sudeste.
O levantamento também mostrou que, quanto mais jovens as mães, maior o percentual de sub-registro de nascimentos, com destaque para a região Norte. Por lá, seis dos sete Estados estão acima dos 10% de sub-registro para mães menores de 15 anos.
A vulnerabilidade materna entre menores de 15 anos fica mais evidenciada em Roraima, com 39,35% de sub-registro; no Amapá, com 22,31%; e no Amazonas, com 14,63%.
Sub-registro de mortes com menos de 1 ano
Com relação ao sub-registro de óbitos, o padrão se mantém, com as regiões Norte e Nordeste apresentando as maiores taxas e as Sul e Sudeste, as menores. Para o IBGE, esse padrão evidencia a persistência de disparidades na cobertura do registro civil entre as macrorregiões brasileiras, associadas a fatores estruturais como densidade de cartórios, acessibilidade geográfica, características demográficas e níveis de desenvolvimento socioeconômico.
Dentro do sub-registro de óbitos, destaca-se o de crianças menores de 1 ano de idade, com 10,8% de taxa. O valor é significativamente maior que a média nacional, de 3,4% de sub-registro considerando todas as faixas etárias.
O instituto considera que esse elevado percentual de sub-registro de óbitos de crianças até 1 ano impacta o cálculo da taxa de mortalidade infantil, assim como o monitoramento de políticas de saúde materno-infantil.
Por regiões, mais uma vez o Norte tem o maior indíce, com 26,55% de sub-registro, seguido pelo Nordeste, com 17,58%. Nas demais regiões, o percentual fica abaixo de 6%.
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