Segundo turno em Paris é marcado por maior mobilização do eleitorado
Eleitores brasileiros registrados em Paris compareceram em maior número neste domingo (25) para o segundo turno das eleições presidenciais. Quase 28 mil estavam aptos para votar na capital francesa - um aumento de 32% em relação a 2022. A votação aconteceu no Espaço Vinci, no 2° distrito.
O segundo turno das eleições brasileiras em Paris registrou maior mobilização de eleitores do que o primeiro turno, com cidadãos viajando de diversas regiões da França para votar. Apesar de um aumento na tensão política e na troca de insultos entre apoiadores de Lula e Bolsonaro durante a tarde do lado de fora do local de votação, o consulado confirmou que o pleito transcorreu de forma rápida e sem incidentes graves, com a expectativa de participação de metade dos eleitores cadastrados.
Daniella Franco, da RFI em Paris
A consultora em cooperação internacional Deize Melo pôde votar neste domingo pela primeira vez em 14 anos. Antes moradora de Guadalupe, território ultramarino francês na América Central, que não conta com local de votação, ela vive atualmente em Bordeaux, oeste da França.
"Não pude vir no primeiro turno porque achei realmente que o Lula iria ganhar e eu sabia que era muito dinheiro que eu ia ter que gastar com passagem de trem, hospedagem, com alimentação", conta. "Desta vez, pude contar com uma amiga aqui em Paris, que me hospedou na casa dela e isso reduziu meus custos. Mas eu disse para mim mesma que não importava o quanto fosse gastar, o mais importante é o que eu estou fazendo pela nossa democracia", diz.
Como Deize, muitos eleitores entrevistados pela RFI no Espaço Vinci relataram ter vindo votar apenas neste segundo turno. Mesários de sessões eleitorais confirmaram o fenômeno, apontando para uma maior afluência de participantes neste domingo do que em 4 de outubro.
A atriz Ingrid Bonini veio a Paris com um grupo de amigos de Grenoble, no sudeste da França. Eles alugaram uma van para fazer um bate e volta. "A gente viu os preços dos trens, mas, como agora é época de férias escolares, estava muito caro. A gente queria muito vir votar, pensamos em alugar um carro de sete lugares, mas optamos por uma van para nove pessoas", conta. "A gente está aqui querendo a vitória do Lula. Todo mundo já votou e agora vamos todos voltar para Grenoble, temos que devolver a van até às oito da noite", diz.
A administradora Renata Tartuce Laporte veio de Brioude, na região sul, à capital francesa para "defender o país". Vestida com uma blusa estampada com a bandeira do Brasil, ela afirma que o comparecimento às urnas é importante para defender seus ideais. Com a escolha de Flávio Bolsonaro ela diz esperar "melhorar a segurança, que todo mundo tenha qualidade de vida como na França, e que todo mundo tenha educação".
A amiga, Cristiane de Moraes Silva, veio votar para "se livrar do PT". "Eu moro aqui há 17 anos e não acho que seja coerente vir morar na França, votar em um partido que está no poder há tantos anos no Brasil e não fez diferença", afirma. "Eu respeito quem pensa diferente, claro, mas eu voto em quem não seja do PT", completa.
Tensão durante a tarde
Enquanto o voto no turno da manhã transcorreu tranquilamente, no turno da tarde, a tensão subiu entre alguns eleitores no lado de fora do local de votação. Bolsonaristas e petistas chegaram a trocar insultos e acusações.
Erika Almeida afirma ter ficado triste com as provocações das quais foi alvo por estar vestida com uma camiseta com as cores do Brasil. "Acho que não precisa disso, todos nós somos iguais, temos que respeitar o voto dos outros", defende. "Quando fui gravar um vídeo para o meu Instagram, começaram a gritar, a me humilhar, a encostar em mim, e eu achei isso desnecessário."
O cônsul-geral do Brasil em Paris, embaixador Fabio Mendes Marzano, afirmou à RFI que não houve incidentes graves registrados e que a votação transcorreu "em paz". "Como sempre, os brasileiros dão um show de civilidade e de harmonia", afirmou. Ele também comemorou a rapidez da votação, com as filas avançando rapidamente.
Os eleitores começaram a chegar antes mesmo do horário de abertura do local de votação, que passou a receber o público às 8h.
A expectativa é que metade dos inscritos tenha comparecido às urnas neste domingo. No primeiro turno, 10 mil eleitores votaram em Paris, conferindo ao presidente Lula quase 80% dos votos.
A França é o sexto maior colégio eleitoral brasileiro na Europa e o nono no mundo. O país conta com dois locais de votação: Paris e Marselha, no sul do território francês. Na capital, a votação se estendeu até as 17h no horário de Paris (13h em Brasília). Os números oficiais de participação serão divulgados após a apuração dos votos, ainda na noite deste domingo.
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