Quem é o padre de SP excomungado pela Igreja Católica? Entenda o caso
Rodrigo de Oliveira Silva rompeu com a Diocese de Jundiaí após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X
O padre Rodrigo de Oliveira Silva, da Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, foi declarado excomungado pela Igreja Católica após anunciar sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A decisão ocorreu no contexto de um rompimento do sacerdote com a autoridade da hierarquia católica.
A diocese confirmou que o religioso também se encontra em situação de cisma. Com isso, segundo a posição oficial da Igreja Católica, Rodrigo não pode exercer legitimamente o ministério sacerdotal em comunhão com a Igreja.
O caso ganhou novos contornos depois que o padre passou a defender publicamente sua aproximação com a FSSPX, grupo tradicionalista que mantém uma relação de ruptura com a autoridade de Roma em questões importantes de disciplina e organização eclesiástica.
Quem é Rodrigo de Oliveira Silva?
Natural de Cajamar, em São Paulo, antes de ser padre, Rodrigo trabalhou como repositor em supermercados desde os 13 anos, fazia diárias carpindo chácaras e cuidando de jardins, e também atuou com reciclagem de plástico
Ele foi ordenado sacerdote em dezembro de 2011, em uma cerimônia realizada na Catedral Nossa Senhora do Desterro, em Jundiaí.
"Eu cresci mais ou menos afastado da fé, não tínhamos nenhuma tradição religiosa na família, como frequentar missas aos domingos, etc. Então eu atribuo meu chamado a um dom especial de Deus. Eu sempre gostei muito de aventuras quando pequeno (meus irmãos que o digam) mas a melhor de todas para mim foi e continua sendo o Evangelho, cada dia eu descubro algo novo e novas metas.
Foi com este coração “inquieto”, ou melhor: “sedento e faminto” que eu entrei no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro no ano de 2004, em Jundiaí, e concluí minha formação acadêmica (filosofia e teologia) em 2009", descreveu ele no site oficial da Paróquia Santo Antonio.
Durante o ministério, o padre passou cinco anos trabalhando em uma região de missão vinculada à Diocese de Marabá, no Pará. Depois, retornou a São Paulo e assumiu a função de pároco da Paróquia Santo Antônio de Pádua e Voturucaia, em Jundiaí. Foi também Assessor Diocesano da Pastoral do Dízimo e representante da Ação Evangelizadora na Região 3.
Mais tarde, deixou a função paroquial e recebeu autorização para viver uma experiência de eremitismo na Diocese de Campanha, em Minas Gerais. Ele permaneceu nessa condição até o fim de 2025. Foi após esse período que sua relação com a hierarquia da Diocese de Jundiaí passou a se deteriorar.
Como começou o conflito com a Igreja?
Em janeiro de 2026, Rodrigo enviou uma carta ao bispo de Jundiaí, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, na qual apresentou suas preocupações a respeito dos rumos da Igreja Católica e comunicou sua aproximação com a chamada tradição católica.
Pouco tempo depois, em 12 de fevereiro, a Diocese de Jundiaí divulgou um comunicado informando a suspensão do exercício do ministério ordenado do sacerdote.
Segundo a diocese, a decisão estava relacionada à adesão de Rodrigo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X e à situação canônica decorrente dessa escolha.
O que é a Fraternidade São Pio X?
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X é uma organização católica tradicionalista fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O grupo surgiu em meio às disputas que se seguiram ao Concílio Vaticano II e defende uma interpretação tradicional da liturgia e de outros aspectos da vida da Igreja.
A relação da fraternidade com Roma é marcada por décadas de conflitos. Um dos episódios centrais ocorreu em 1988, quando Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa.
O episódio levou à excomunhão dos envolvidos, embora posteriormente a Igreja tenha retirado a pena de excomunhão dos quatro bispos em 2009. A situação canônica da FSSPX, entretanto, permaneceu distinta da de uma comunidade plenamente integrada à estrutura da Igreja Católica.
É nesse contexto que a adesão de Rodrigo à fraternidade passou a ser considerada pela Diocese de Jundiaí como incompatível com o exercício regular do sacerdócio dentro da Igreja.
Por que o padre foi excomungado?
Segundo a Diocese de Jundiaí, a situação evoluiu de uma suspensão do ministério para a declaração de excomunhão e cisma. A justificativa apresentada pela Igreja está relacionada à adesão do sacerdote à ruptura com a autoridade do papa e à sua participação na posição da FSSPX.
Na interpretação da Igreja Católica, o cisma está relacionado à recusa de submissão ao papa ou à comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos. A excomunhão é uma pena canônica que restringe a participação plena do fiel na vida sacramental da Igreja.
A diocese também informou que os atos ministeriais realizados pelo sacerdote em situação irregular não são reconhecidos como lícitos pela Igreja Católica. A questão da validade de determinados sacramentos, contudo, depende do sacramento específico e das circunstâncias em que foi administrado.
Rodrigo de Oliveira Silva não concorda com a interpretação apresentada pela Diocese de Jundiaí e pela Santa Sé.
Em uma manifestação divulgada aos fiéis em março de 2026, o sacerdote afirmou que sua decisão de se aproximar da FSSPX foi resultado de estudos sobre o momento vivido pela Igreja e do contato com outros religiosos que seguiram caminho semelhante.
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