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Tarcísio terá segundo mandato sem Kassab no 1° escalão e com disputa por sucessão em 2030

Cacique do PSD, que já foi considerado 'homem-forte' do governador, não deve voltar ao Palácio dos Bandeirantes; Ramuth e Nunes miram desde já o próximo pleito no Estado

5 out 2026 - 05h26
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Resumo
Reeleito governador de SP, Tarcísio de Freitas iniciará o segundo mandato com mudanças no secretariado, marcadas pela saída de Gilberto Kassab, perda de espaço do PSD e possível avanço do MDB e Novo. Focado em acelerar grandes obras de infraestrutura com vistas a uma candidatura presidencial em 2030, Tarcísio também lida desde já com a disputa antecipada pela sua sucessão no Palácio dos Bandeirantes, protagonizada pelo vice-governador Felício Ramuth e pelo prefeito Ricardo Nunes.

Reeleito governador de São Paulo neste domingo, 4, Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve começar o novo mandato sem Gilberto Kassab (PSD) no primeiro escalão do governo e com a disputa pela sua sucessão no horizonte de aliados.

Em discurso após o anúncio da vitória, o governador reeleito afirmou que só vai decidir sobre o secretariado após o segundo turno da eleição. No entanto, admitiu que "algumas mexidas" devem ser feitas.

Além das trocas na equipe, Tarcísio deve colocar o pé no acelerador para entregar, até o fim do segundo mandato, obras de grande porte que podem servir de vitrine para um possível projeto presidencial, caso do túnel que ligará Santos ao Guarujá e do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas - ambos previstos para 2031, sendo que o mandato de Tarcísio termina em 2030.

Aliados dão como certo que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, não voltará ao Palácio dos Bandeirantes. O cacique, que disputou na eleição como candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), foi um dos principais fiadores de Tarcísio em 2022 e começou o primeiro mandato com status de "homem-forte" da gestão, ocupando a estratégica Secretaria de Governo.

Eleito para o Senado com o apoio do governador, o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP) não retornará ao comando da pasta, do qual saiu em dezembro do ano passado para se dedicar ao mandato na Câmara dos Deputados e disputar a eleição. Ele foi substituído pelo número 2, o delegado Osvaldo Nico Gonçalves.

Uma possível mudança envolve a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende. Integrantes da gestão dizem que Tarcísio avalia dar mais protagonismo à aliada no segundo mandato, realocando-a em outra secretaria, como por exemplo a Casa Civil. Natália faz parte do núcleo de confiança do governador, tocou a privatização da Sabesp e, na campanha, ficou responsável pela elaboração do plano de governo.

Entre as siglas que podem ganhar espaço estão o MDB. Além de ser a legenda do prefeito Ricardo Nunes (MDB), principal aliado de Tarcísio, a sigla aceitou filiar o vice-governador Felício Ramuth após ele deixar o PSD na esteira da disputa pela vaga de vice com Kassab.

Tarcísio também manifestou o desejo de ter o Partido Novo mais próximo de sua administração durante a reunião que selou a desistência de Ricardo Salles (Novo), como mostrou o Estadão no início da semana. Embora não tenha sido acertado cargos ou indicações, o gesto gerou rumores de que o próprio Salles poderia se tornar secretário no futuro. "Não descarto, obviamente, política tudo é possível, mas não foi objeto da nossa discussão", respondeu Salles, ao ser questionado sobre o assunto no domingo, 4.

Por outro lado, o PSD deve perder espaço. Atualmente, o partido comanda diretamente as pastas da Saúde, Projetos Estratégicos e Desenvolvimento Urbano e Habitação, além de ter influência na Cultura e na Educação.

Ramuth e Nunes de olho em 2030

O entorno do governador projeta que os dois primeiros anos de mandato serão mais tranquilos do ponto de vista político porque os deputados precisarão da ajuda do governador para eleger ou reeleger os prefeitos em suas bases eleitorais.

As turbulências são esperadas para depois da eleição municipal de 2028, quando as atenções se voltarão tanto para a sucessão de Tarcísio no Palácio dos Bandeirantes como para o futuro do governador, cotado desde já como nome para disputar a Presidência da República.

Ricardo Nunes, prefeito de SP, posa ao lado de Tarcísio de Freitas.
Ricardo Nunes, prefeito de SP, posa ao lado de Tarcísio de Freitas.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Porém, uma disputa entre Ramuth e Nunes pelo posto de sucessor está posta desde já. O vice-governador provavelmente disputaria a eleição de 2030 no comando do Bandeirantes, já que Tarcísio teria que se desincompatibilizar para ser candidato a outro cargo.

Ao mesmo tempo, o empenho de Nunes para reeleger o governador e também ajudar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) não passou despercebido no entorno de Tarcísio. Na festa da vitória na noite de domingo, o prefeito pegou o microfone e fez as vezes de mestre de cerimônia no início dos discursos.

Felício Ramuth
Felício Ramuth
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

A participação de Nunes na campanha foi importante especialmente para Tarcísio vencer Haddad na cidade de São Paulo, revertendo a derrota que o governador havia sofrido para o petista em 2022. Um candidato de direita ao Palácio dos Bandeirantes não era o mais votado na capital desde João Doria no primeiro turno de 2018.

Há ainda a possibilidade de outros partidos da base aliada, como o PSD e o PL, lançarem candidatos e embaralhar ainda mais o processo de sucessão para o governo de São Paulo. Outro fator que terá influência é o resultado das eleições municipais na capital, onde Nunes tentará eleger o sucessor, e nas principais cidades, como Guarulhos, Campinas e Osasco.

Estadão
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