Simone Tebet diz que Salles se rendeu ao Centrão; Marina Silva chama desistência de desrespeito
Deputado do Novo anunciou saída da disputa ao Senado por São Paulo e declarou apoio a André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP)
Após registrar 4% no Datafolha, Ricardo Salles desistiu de disputar o Senado por SP para apoiar André do Prado e Guilherme Derrite, aliados do governador Tarcísio de Freitas, sob a justificativa de barrar o avanço da esquerda. A manobra foi duramente criticada pelas adversárias Simone Tebet, que afirmou que ele "se rendeu ao Centrão", e Marina Silva, que classificou a saída como um "vale-tudo" eleitoral e um ato de desrespeito aos eleitores às vésperas do pleito.
As duas candidatas ao Senado por São Paulo alinhadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), criticaram há pouco a desistência de Ricardo Salles (Novo) do pleito. Pela manhã, Salles fez um anúncio ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) dizendo que desistiu da candidatura ao Senado e que agora apoia André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
"Salles se rendeu ao Centrão!", escreveu Tebet em publicação no X. "Nossa candidatura agora é a única com independência e coragem para defender São Paulo no Senado", acrescentou a ex-ministra do Planejamento do presidente Lula.
Ao longo de toda a campanha, Salles acusava André do Prado de não ser de direita de verdade, e sim ligado ao "centrão". Durante debate organizado pelo Estadão e pela Faap na última semana, Salles chegou a dizer que André do Prado seria "uma marionete" do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Também em publicação no X, Marina Silva escreveu que a desistência de Salles "desrespeita seus eleitores" e os deixa abandonados às vésperas da votação. A ex-ministra do Meio Ambiente ainda disse que a manobra foi "um vale-tudo" da direita para "conter o avanço das duas candidatas mulheres do campo progressista". "Esse é um tempo difícil que exige coerência para dizer, em atitudes práticas, que não vale tudo para ganhar uma eleição", acrescentou.
Ao explicar a mudança de posição, Salles afirmou que o cenário político nacional exigia que diferenças fossem deixadas de lado. Segundo o deputado, uma possível vitória de Lula representa um momento em que questões pessoais e divergências políticas deveriam ser colocadas em segundo plano em favor de um objetivo maior.
"É importante dar sinais para a sociedade para a gente entender que o momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes, têm que ser deixadas de lado justamente porque o risco de uma catástrofe de uma reeleição do presidente Lula é muito grande e o País não merece isso. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior", declarou.
A saída de Salles ocorre após o candidato aparecer atrás nas pesquisas de intenção de voto. No levantamento Datafolha divulgado em 24 de setembro, o deputado registrava 4% das intenções de voto. Marina Silva aparecia com 15%, Simone Tebet com 14%, enquanto Derrite e André do Prado tinham 12% cada. Os quatro primeiros colocados estavam em situação de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Tarcísio afirmou que Salles tinha legitimidade para permanecer na disputa, mas decidiu abrir mão da candidatura para contribuir com a estratégia do grupo político. "O Ricardo Salles tinha toda legitimidade para continuar na caminhada, tem trajetória, tem bagagem, tem história. Dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar. Esse é um momento de somar e não é um momento de dividir", disse o governador.
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