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Política

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Reeleição de Lula fortalece Motta e Alcolumbre na disputa pelo comando do Congresso

Presidentes da Câmara e do Senado reconhecem resultado da eleição e ganham força para articular suas reconduções depois de vitória histórica do petista

25 out 2026 - 23h57
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Resumo
A reeleição de Lula fortaleceu Hugo Motta e Davi Alcolumbre para manterem as presidências da Câmara e do Senado, aliviando a pressão após o PL eleger bancadas recordes e ameaçar disputar os cargos. Ambos parabenizaram o petista, mas acenaram à oposição pregando conciliação. Motta tem ampla base partidária e pode ganhar o apoio formal do PT, enquanto Alcolumbre articula nos bastidores para frear os bolsonaristas, que precisam de apenas 13 aliados para conquistar a maioria simples no Senado.

BRASÍLIA - A reeleição histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo, 25, fortalece as chances de o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) serem reconduzidos às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Congresso
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Congresso
Foto: Wilton Junior / Estadão / Estadão

Pouco depois de a vitória de Lula ter sido confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Motta e Alcolumbre fizeram um pronunciamento em Brasília no qual parabenizaram o petista, mas também fizeram acenos ao candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, de olho na bancada recorde do PL nas duas Casas.

Motta, em seu discurso, afirmou que era um "dia de alegria" para quem acredita na democracia e cumprimentou Lula pela reeleição, mas pediu que o petista faça uma avaliação de seus acertos e erros.

"Nós temos um Brasil dividido, um Brasil que passou, infelizmente, os últimos quatro anos radicalizado, e que, com essa vitória de hoje, eu penso que o presidente tem uma nova oportunidade de poder conciliar o país, de poder olhar para a gente e governar para todos os brasileiros", afirmou.

"Estaremos prontos para poder, com diálogo, com independência, mas, acima de tudo, com harmonia, como preconiza a nossa Constituição, poder estar pronto para dialogar e projetarmos o futuro do País", continuou Motta.

Alcolumbre, por sua vez,afirmou que não há motivo para contestar o resultado da eleição e afirmou que o Congresso não se furtaria a debater todos os temas e em fazer os enfrentamentos necessários para buscar uma agenda de resposta que a sociedade espera do Poder Legislativo.

"Hoje, a gente viu que quase 125 milhões de brasileiros exerceram o direito do voto. Nós estamos vendo hoje, na eleição presidencial, um presidente da República sendo reeleito novamente presidente do Brasil com 64 milhões de votos", disse o presidente do Senado, que citou a votação expressiva de Flávio nas urnas.

"Hoje nós estamos aqui, o Poder Legislativo brasileiro, o presidente da Câmara e o presidente do Senado, reconhecendo a decisão livre e soberana do povo brasileiro, sufragada nas urnas eletrônicas, que completam 30 anos e que são um patrimônio do Brasil", afirmou Alcolumbre.

Ele qualificou a vitória de Lula como "consagradora", mas ressaltou que o Congresso está "atento a todos os desejos da sociedade brasileira".

A reeleição do petista traz alívio aos dois presidentes, em especial depois que Flávio indicou que, se eleito, brigaria para ter o comando das duas Casas legislativas.

O PL conseguiu eleger as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado. Foram 121 deputados federais, o que representa um quarto das cadeiras da Câmara e um recorde histórico — em 1990, o PMDB teve 109 parlamentares. Além disso, o partido terá 28 senadores, um terço da Casa.

No Senado, principalmente, os bolsonaristas têm força para emplacar o presidente. Só precisariam reunir 13 votos de aliados para conseguir maioria simples e eleger o sucessor de Alcolumbre -- e o partido tem apoio em legendas como PP, Novo, PSDB e Republicanos. Alguns nomes já são ventilados, como o do coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), e o da ex-ministra de Agricultura Tereza Cristina (PP-MS).

Lideranças do Centrão, porém, afirmam que, com a vitória de Lula, Alcolumbre ganha fôlego para articular sua recondução nos bastidores. Segundo parlamentares, ele já começou a se movimentar, oferecendo gabinetes em troca de apoio à sua reeleição.

Na Câmara, o cenário para Motta é mais favorável. Pouco depois do primeiro turno, ele conseguiu costurar o apoio de um bloco de sete partidos - União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos. Depois, aderiram PSB, PDT e PV. Com isso, ele já partiria de 273 deputados na próxima legislatura. Com a vitória de Lula, o PT poderia migrar seus 70 parlamentares para a base de apoio do presidente da Câmara, no que seria seguido pelo PC do B, com 11.

Lula já falou, na primeira eleição de Motta, que não repetiria o erro da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2015, ela lançou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara, contra Eduardo Cunha (MDB), que ganhou a disputa.

Alcolumbre e Motta foram aliados importantes de Lula ao longo do ano. O petista e o presidente do Senado estavam rompidos desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no STF. Lula atribuiu a derrota a uma estratégia conduzida pessoalmente por Alcolumbre, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga.

Depois da reaproximação, no entanto, Alcolumbre pautou todos os projetos de interesse de Lula. Motta, por sua vez, declarou apoio ao petista para tentar ajudar seu pai, Nabor Wanderley, a se eleger senador pela Paraíba - ele terminou em terceiro.

Estadão
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