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Política

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Moraes dá 48 horas para defesa de Bolsonaro explicar vídeo com IA

Ministro do STF quer saber se o ex-presidente autorizou o uso de sua imagem em vídeo criado para a campanha de Flávio

28 jul 2026 - 22h42
(atualizado às 23h03)
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Flávio Bolsonaro em convenção na qual foi exibido um vídeo de Jair Bolsonaro feito com inteligência artificial
Flávio Bolsonaro em convenção na qual foi exibido um vídeo de Jair Bolsonaro feito com inteligência artificial
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esclareça, no prazo de 48 horas, se ele autorizou ou não a produção e a divulgação de um vídeo criado com inteligência artificial exibido durante a convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A resposta da defesa será decisiva para definir se houve o descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar humanitária

Caso Bolsonaro tenha autorizado a utilização de sua imagem e de sua voz na gravação, o ministro afirma que isso poderá caracterizar uma nova violação das restrições judiciais. Na decisão, Moraes escreveu que "a eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria noca e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado".

Ao fundamentar a decisão, Moraes ressaltou que a utilização da imagem de qualquer pessoa em campanhas eleitorais depende de consentimento prévio. Se Bolsonaro não tiver autorizado o uso de sua imagem, Moraes afirma que a responsabilidade poderá recair sobre os organizadores da divulgação do material. 

Segundo o ministro, "se não houve autorização do custodiado Jair Messias Bolsonaro para utilização de sua imagem e voz para declarações político-eleitoral, além de constituir desrespeito à ordem judicial por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal (PL), tal conduta poderá tipificar a denominada 'deep fake', prática expressamente vedada pela legislação eleitoral, um vez que, haverá a caracterização de criação ou divulgação de conteúdo sintético destinado a associar artificialmente a imagem, a voz ou a manifestação de determinada pessoa a candidato, partido ou causa política, sem sua expressa autorização".

O vídeo foi apresentado durante o evento que lançou Flávio como candidato à presidência. Na gravação, produzida com inteligência artificial, uma versão simulada do ex-presidente aparecia apoiando a candidatura do filho e pedindo aos apoiadores que os recebessem de "braços abertos" como "seu substituto".

Logo no início, o próprio vídeo informava tratar-se de uma recriação. "Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz, feita com inteligência artificial", dizia a gravação.

Em vídeo feito por IA, Bolsonaro reforça que Flávio foi escolha dele: 'Sangue do meu sangue':

Novas restrições

A decisão suspende, por 30 dias, o direito de receber visitas, mantendo apenas os atendimentos médicos, fisioterapêuticos e as visitas de advogados. A restrição não se aplica a Flávio Bolsonaro, que já está impedido de visitar o pai por 90 dias.

O ministro também proibiu visitas com finalidade político-eleitoral ao ex-presidente até o fim das eleições gerais de 2026. Outra determinação impede a divulgação de manifestos de caráter político-eleitoral em nome de Bolsonaro, inclusive quando realizados por terceiros.

As medidas permanecem em vigor enquanto o STF analisa a manifestação da defesa sobre a participação do ex-presidente na produção e divulgação do vídeo.

Fonte: Portal Terra
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