Lula fala em 'novo jeito de governar o País', caso seja reeleito
Presidente diz que 'participação do povo' vai forçar mudanças no governo federal e brinca ter 'exército' maior do que Xi, Trump e Putin; mobilização na reta final da campanha, atuação online e medidas populistas fazem parte da estratégia para virar situação das urnas no segundo turno
Na busca por virar o segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente Lula prometeu um "novo jeito de governar" impulsionado pela mobilização popular nas ruas e nas redes. Ao lado de André Janones, o petista aposta no engajamento digital e em medidas de forte apelo eleitoral, como a tarifa zero nos transportes aos fins de semana, o fim da escala 6x1 e o perdão de dívidas para microempreendedores individuais, reforçando os acenos à sua base na reta final da disputa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a mobilização popular na reta final da campanha pelo segundo turno das eleições vai "obrigá-lo" a "discutir um novo jeito de governar este país" caso seja reeleito no domingo, 25.
A declaração ocorreu na noite de quinta-feira, 22, em live com o deputado federal André Janones, mobilizador do canal de WhatsApp "Exército do Lula", que conta com mais de nove milhões de seguidores e faz parte da estratégia do PT na busca por uma virada nas urnas. O presidente brincou ter um "exército" maior do que os dos presidentes da China, da Rússia e dos EUA - Xi Jinping, Vladimir Putin e Donald Trump.
Após Janones convidar para os últimos atos da campanha neste sábado, em Copacabana pela manhã e na Avenida Paulista à tarde, o presidente disse que suas últimas caminhadas na Bahia, Maranhão, Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram as "maiores da história", e afirmou que, ao ver "a participação do povo nesta campanha, a saída na rua dos estudantes, das mulheres, dos trabalhadores", vai ter que pensar em mudanças no governo federal.
A mobilização em rua e redes fez parte da estratégia do presidente nas últimas semanas. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), Lula intensificou sua atuação online, recebeu setores mais jovens e eleitoralmente bem-sucedidos do PT para discutir a campanha e reforçou acenos populistas à sua base eleitoral.
O presidente anunciou diversas medidas de caráter eleitoreiro. O destaque da última semana foi a proposta de tarifa zero no transporte público aos finais de semana, ação que deve custar de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões, segundo estimativa preliminar da Confederação Nacional dos Municípios. A proposta é usar dinheiro de emendas parlamentares para pagar pelo benefício.
Lula também conseguiu aprovar o fim da escala 6x1 junto ao Congresso, avançou uma casa na PEC da Segurança - em meio a uma mudança de posição sobre a redução da maioridade penal - e perdoou R$ 12,86 bilhões em dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), além de aumentar o seu teto de faturamento e anunciar um programa de transferência de R$ 5 mil para os empreendedores, o chamado Pix MEI. O Gastômetro, ferramenta inédita no Estadão, indica que desembolsos do governo federal ao longo deste ano chegaram a R$ 405 bilhões na semana do segundo turno.
Lula diz ter um 'exército' maior do que China, Rússia e EUA
Ao falar sobre as possíveis mudanças no "jeito de governar o País", Lula também acenou ao canal de WhatsApp "Exército do Lula", gerido por Janones, que ultrapassou a marca de nove milhões de seguidores nesta sexta-feira. O espaço faz parte da estratégia de mobilização popular na reta final da campanha, como ferramenta na tentativa de virar a situação do candidato nas urnas.
"Quero agradecer o meu exército que vai continuar crescendo", disse o presidente, afirmando que os presidentes da China, da Rússia e dos EUA logo iriam telefonar para ele para reclamar. "Ele vai me ligar: 'Ô, Lula, o seu exército é maior do que o meu', e vai estar, porque nosso exército não tem só soldado, ele tem razão, ele tem motivação, ele tem uma causa", brincou o presidente.
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