Lula diz que mudará o jeito de governar e defende regulamentação das plataformas digitais
Com voz rouca, presidente falou após a apoiadores após a vitória. Geraldo Alckmin afirmou que Lula salvou a democracia pela segunda vez
Reeleito para um quarto mandato inédito com recorde de mais de 64 milhões de votos (51,77%), Lula derrotou Flávio Bolsonaro e prometeu mudar seu modo de governar, priorizando o engajamento digital e a participação popular. Em seu discurso de vitória, defendeu a regulamentação das plataformas digitais para combater crimes virtuais e tentativas de interferência política. O petista minimizou os desafios com o Congresso conservador, cobrou respeito à Constituição e celebrou a força da democracia.
Com a voz rouca, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou a participação da juventude e dos idosos, prometeu mudar o jeito de governar - após entender a importância do engajamento virtual - e fez críticas à postura de seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
"Já debati com muita gente, já participei de muitas eleições. (...) Nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do 'milicianismo' neste País. Nunca pensei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro de si uma célula de humanidade", declarou.
O petista também afirmou que a eleição foi marcada por tentativas de interferência externa por meio de plataformas digitais, e prometeu regulá-las. "O crime digital tem que ser tratado igual na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grande ganhado bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para este País e tentando influenciar o resultado eleitoral deste país", afirmou.
Lula subiu ao palco por volta das 22h15. Antes de iniciar o discurso, ele passou a palavra ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), afirmando que o pessebista tinha "muito a ver com essa vitória" e ressaltou sua lealdade ao companheiro de chapa.
Alckmin começou o discurso agradecendo ao povo brasileiro, que foi generoso e animado. Fez uma ressalva aos jovens. "O futuro começa hoje e se chama juventude". "Meu profundo respeito, o senhor pela segunda vez salvou a democracia brasileira".
Lula alcançou neste domingo, 25, a maior votação nominal já registrada por um candidato à Presidência da República no Brasil. Com 99,82% das urnas apuradas, o petista somava 64.111.352 votos, superando seu próprio recorde de 60.345.999 votos, estabelecido em 2022.
O presidente reeleito conquistou um quarto mandato inédito após derrotar o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno, com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do adversário.
Ao comentar a conquista do quarto mandato, Lula destacou sua trajetória como metalúrgico e o fato de não ter diploma universitário. "Tenho um orgulho muito grande porque sou o único presidente da República metalúrgico, sem diploma universitário, eleito quatro vezes democraticamente", disse.
A vitória marcou a primeira virada entre o primeiro e o segundo turno de uma eleição presidencial desde a redemocratização. Entre o primeiro e o segundo turno, Lula ampliou sua votação em 10.314.171 votos, passando de 53.879.538 para 64.193.709, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Lula afirmou que não pretende recorrer ao discurso de união nacional, mas defendeu o respeito ao resultado das urnas e à Constituição. "Não vou falar a palavra 'unidade nacional', porque nem sempre cabe neste país. Mas, se depender de mim, este país tem que ter civilidade, este país tem uma Constituição. Ninguém tem que gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar com respeito a todos", declarou.
Comunicação direta com a população e desafios no Congresso
Lula afirmou que pretende ampliar a participação popular nas decisões do governo e dar mais espaço à comunicação digital durante o quarto mandato. O presidente reeleito disse que já ganhou um celular do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e que está aprendendo a utilizar o aparelho para se comunicar diretamente com a população.
Ele também agradeceu aos eleitores idosos e relatou ter visto, ao longo do dia, imagens de pessoas com dificuldades de locomoção sendo levadas por familiares, especialmente netos, aos locais de votação. Para Lula, o comparecimento desses eleitores demonstrou a importância atribuída ao voto para a preservação da democracia no País.
O presidente reeleito também rebateu avaliações de que enfrentará dificuldades para governar diante da composição do Congresso Nacional. Em seu quarto mandato, Lula encontrará um Congresso ainda mais conservador do que os que enfrentou em gestões anteriores.
"Já tem gente falando que Lula vai ter dificuldade para governar. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou governar", afirmou.
Lula afirmou que nos próximos dois meses deverá discutir os próximos passos do governo e se reunir com empresários, cientistas e mulheres. Em tom de brincadeira, também mencionou o Corinthians, seu time de futebol, que perdeu uma partida no sábado, 24. "O Corinthians perdeu ontem, cara. Onde é que a gente vai parar? Parecendo o Bolsonaro, só perde", disse.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.