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Política

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Horários diferentes na divulgação de votos não indicam fraude eleitoral

RESULTADOS DE PERNAMBUCO NO PRIMEIRO TURNO APARECERAM ADIANTADOS PORQUE SISTEMA ADOTOU FUSO DE FERNANDO DE NORONHA, UMA HORA À FRENTE DE BRASÍLIA; SISTEMAS DE TOTALIZAÇÃO E DE RESULTADOS NÃO SÃO OS MESMOS

25 out 2026 - 16h15
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Resumo
É enganoso o vídeo que aponta fraude eleitoral devido a divergências de horários na apuração de Pernambuco no site do TSE. O tribunal esclareceu que a diferença ocorreu porque Fernando de Noronha segue um fuso uma hora à frente de Brasília, critério adotado no arquivo estadual. Especialistas reforçam que falhas de exibição na internet diferem da contagem oficial e não indicam adulteração, uma vez que a totalização é respaldada pelos boletins de urna, documentos públicos e auditáveis.

O que estão compartilhando: um vídeo gravado no primeiro turno das eleições que mostra horários divergentes entre a apuração dos votos nacionais e do Estado de Pernambuco. O conteúdo circula com a insinuação de que houve fraude.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A autora do vídeo grava a tela do site Resultados, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e mostra horários diferentes entre a última atualização dos votos nacionais e de Pernambuco, mas isso não significa que houve fraude.

Segundo o TSE, a divergência ocorreu porque o município de Fernando de Noronha adota fuso horário uma hora à frente do horário de Brasília. O restante do Estado segue a capital brasileira. "O arquivo estadual passou a considerar o maior horário local registrado, correspondente a Fernando de Noronha", informou.

Conforme o tribunal, o procedimento será ajustado no segundo turno para que a identificação e a exibição do horário reflitam corretamente o momento da última totalização realizada com base no horário de Recife, capital pernambucana.

Ao Verifica, o professor André Grégio, do Departamento de Informática da Universidade Federal do Paraná (UFPR), membro da Comissão Especial de Cibersegurança da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), afirma que uma inconsistência no horário apresentado por um site pode indicar um problema técnico, mas não que os votos tenham sido alterados ou contabilizados de maneira fraudulenta.

"É preciso diferenciar uma falha na divulgação dos resultados de uma falha na própria contagem dos votos. São processos e sistemas distintos", explicou.

A reportagem procurou o responsável pela alegação, mas não recebeu resposta.

Saiba mais: o vídeo inicia na tela que mostra a apuração nacional no site Resultados. O celular e uma televisão ao fundo ligada no noticiário mostram que a gravação ocorreu às 19h59. O site sinaliza que a última atualização nacional aconteceu às 19h06.

Em seguida, a autora da gravação muda o filtro para o estado de Pernambuco, que mostra a última atualização às 20h16, ou seja, em um horário futuro.

Ela afirma ser "interessante, justamente no Nordeste, todos os Estados, ele fala aqui no sistema que a última atualização ocorreu às 8h16min, só que ainda são 7h59min, então já está concordando que houve uma atualização num horário que nem chegou ainda". Apesar de afirmar que isso ocorre em todos os Estados do Nordeste, a mulher não mostra nenhum outro além de Pernambuco.

Essa gravação foi compartilhada por um homem que insinua ter havido fraude nas eleições ao dizer que "essa talvez seja a maior prova de todas, o maior indício que alguma coisa estranha aconteceu, algo de errado não está certo". Ao longo do conteúdo, ele erra o estado mostrado pela mulher, afirmando ter ocorrido a divergência na Bahia.

Ferramentas de totalização e de divulgação dos votos são distintos

O site Resultados é uma ferramenta oficial de divulgação e consulta dos resultados eleitorais. André Grégio explica que ele utiliza informações produzidas pelos sistemas da Justiça Eleitoral, mas não é responsável por contar os votos.

Antes dessa informação chegar ali, ela passa por outras duas etapas. Primeiro ocorre a apuração, onde cada urna eletrônica contabiliza os votos da sua seção e gera um documento com o resultado, o Boletim de Urna. Depois, os resultados das diferentes urnas são reunidos e somados pelos sistemas de totalização. Por último, essas informações são disponibilizadas ao público no site Resultados.

Uma falha nesse site de divulgação não implica automaticamente em um problema de apuração ou totalização de votos, observa Grégio. "Além disso, os boletins de urna são documentos públicos e podem ser consultados para conferir se os resultados divulgados correspondem aos votos registrados em cada seção eleitoral", acrescenta.

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Sistemas podem ter horários diferentes

O professor diz que não é possível concluir, apenas assistindo ao vídeo, qual a origem da divergência de horários. Para determinar a causa exata seria necessário analisar os registros técnicos do sistema do TSE. Ele observa, contudo, que sistemas de computação podem apresentar diferenças de horário principalmente devido a problemas de sincronização de relógios.

Conforme Grégio, os dados podem vir de diversas fontes e o servidor que apresenta as informações publicamente pode estar em outro lugar, com outro horário. "Configurações incorretas de fuso horário ou mesmo da configuração da hora do relógio do sistema, que pode ser feita manualmente ou ser obtida automaticamente, podem afetar como os horários são exibidos".

Além disso, destaca, as diferenças de atualização da contagem dos votos em diferentes locais não é necessariamente uma anormalidade porque os resultados nacionais e estaduais são apresentados por meio de arquivos e processos de atualização que podem funcionar em momentos diferentes. "Não é obrigatório que todas as páginas mostrem o mesmo horário de atualização".

Ele lembra que no primeiro turno o TSE confirmou que houve uma falha técnica no sistema de divulgação dos resultados nacionais, iniciada por volta das 19h14 e resolvida às 20h04. Segundo o tribunal, os resultados estaduais continuaram sendo atualizados normalmente. "Isso ajuda a explicar por que o painel nacional poderia mostrar informações mais antigas do que o estadual", comenta.

O TSE confirmou que o problema não comprometeu os votos registrados nas urnas. "Para demonstrar uma fraude, seria necessário apresentar evidências concretas de manipulação dos resultados, como divergências entre os votos registrados nos boletins de urna e os valores totalizados. O vídeo, isoladamente, não apresenta essa comprovação", finaliza o especialista.

Estadão
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