Globo mostrou púlpito vazio quando Lula faltou ao debate de 2006, no auge do escândalo dos aloprados
Regras seriam as mesmas nesta quinta-feira, mas foram vetadas por decisão de ministra do TSE; emissora cancelou o debate por interferência judicial
A TV Globo cancelou o debate presidencial após decisões judiciais que impediram a exibição do púlpito vazio de Lula, que se recusou a comparecer, vetando também perguntas ao petista ausente e impondo a inclusão de outros candidatos. A emissora alegou interferência indevida na sua organização. O episódio remete a 2006, quando Lula também faltou a um debate da emissora em meio ao escândalo dos aloprados, ocasião em que o canal manteve o púlpito vazio e permitiu questionamentos dos rivais.
Há vinte anos, a TV Globo exibiu o púlpito vazio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último debate antes do primeiro turno da eleição de 2006. A emissora também permitiu que os demais candidatos fizessem perguntas ao petista, mesmo sem ele ter comparecido.
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As mesmas regras estavam previstas para o debate que seria realizado na noite desta quinta-feira, 1º. Assim como há duas décadas, Lula decidiu não comparecer ao encontro. Horas antes do início do debate, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha, acatou o pedido da campanha do petista e proibiu a exibição do púlpito do vazio e vetou que os adversários fizessem perguntas a ele.
O debate desta quinta foi cancelado pela Globo, que apontou interferência judicial indevida na liberdade dos veículos de imprensa organizarem os eventos. Além da decisão de Estela Aranha, a emissora mencionou as determinações dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques para que os candidatos Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) participassem do debate.
Antes do cancelamento, Flávio Bolsonaro (PL) informou que não participaria mais por causa da "censura imposta pelo TSE", em alusão à decisão que proibiu que se fizesse perguntas a Lula.
Em 2006, Lula se via às voltas com o que ficou conhecido como o escândalo dos aloprados, apontado como um dos motivos que o teriam levado à faltar ao debate.
Duas semanas antes do primeiro turno, integrantes do PT foram presos pela Polícia Federal em um hotel de São Paulo ao tentar comprar um dossiê contra o então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra.
Tentando diminuir a importância do episódio, Lula, que também disputava a reeleição a presidente, afirmou que aquilo era obra de "um bando de aloprados", expressão pela qual o caso é lembrado até hoje.
O tema foi abordado no debate por meio de perguntas feitas ao candidato ausente Lula. Segundo reportagens da época, o então candidato Cristovam Buarque (PDT) chegou a questionar se o presidente renunciaria se ficasse comprovada sua participação no caso. Já seu principal adversário à época, o atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), disse que Lula desrespeitava os eleitores ao faltar ao encontro.
À época, a ausência foi apontada por analistas como o principal motivo pelo qual o petista não venceu a disputa no primeiro turno, conforme indicavam as pesquisas na reta final. Lula teve 48,6% dos votos válidos, contra 41,6% de Alckmin na primeira votação. Lula ganhou no segundo turno por 60,8% a 39,1%.
Dessa vez, a explicação dada por aliados do petista para não ir ao debate é que ele ficaria cercado por adversários e se tornaria o principal alvo das críticas e perguntas, já que todas as demais candidaturas são de direita. O presidente preferiu conceder uma entrevista ao podcast Flow.
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