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Política

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Fotógrafo do Estadão conta bastidores de foto de Moraes no dia de julgamento inédito no STF

Wilton Junior revela como capturou imagem de ministro em sessão tumultuada na Corte

17 set 2026 - 22h30
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Resumo
Diante das restrições de acesso da imprensa ao plenário do STF, o fotógrafo Wilton Junior, do Estadão, usou de criatividade para registrar o ministro Alexandre de Moraes. Posicionado a 50 metros do prédio, ele capturou pela fresta de uma cortina a imagem de Moraes sorridente após uma sessão tensa, marcada pelo adiamento do julgamento de um pedido de investigação contra o magistrado, viabilizado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino em meio à crise que afeta a Corte.

BRASÍLIA - Tirar foto de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não é tarefa fácil em tempos normais. Em meio à crise em que parte dos ministros da Corte está envolvida no caso Master, a missão pode virar um desafio à criatividade.

Foi assim que o fotógrafo Wilton Junior, do Estadão, acabou capturando uma imagem do ministro Alexandre de Moraes ao final da sessão da última terça-feira, 15. A foto é essa logo abaixo:

O ministro Alexandre de Moraes durante sessão no STF
O ministro Alexandre de Moraes durante sessão no STF
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"Foi por aquela fresta ali", aponta Wiltinho, como é chamado pelos colegas, indicando como se posicionou para captar a imagem. Estava a 50 metros de distância do prédio e sua lente mirou no plenário, ultrapassando duas camadas de vidro e aproveitando de uma brecha nas cortinas do ambiente.

O fotógrafo estava do lado de fora do plenário, a sessão por terminar. Sabendo a posição da cadeira de Moraes e tirando proveito que já estava escuro do lado de fora, ele flagrou o ministro sorridente justamente num dia em que ministros aliados conseguiram impedir o julgamento do pedido de investigação.

O caso foi adiado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino após uma tumultuada sessão em que ministros trocaram insultos e se dividiram.

Para entender as razões que levaram Wilton Junior a buscar uma fresta é preciso voltar no tempo. Há mais de 20 anos, a circulação dos fotógrafos e cinegrafistas é limitada no plenário do STF. Eles só podem entrar num curto prazo para registrar o máximo de imagens possíveis. O restante fica por conta dos servidores do próprio tribunal e da TV Justiça.

Filho de pai também fotógrafo, 52 anos de idade e 25 de profissão, dois prêmios do Rei de Espanha e um Esso de fotografia, Wilton Junior aprendeu nos quatro anos em que trabalha na sucursal do Estadão em Brasília que as fotografias produzidas capital federal são fruto de trabalho diário. Mas também podem envolver criatividade e, claro, estar no lugar certo na hora certa.

"A gente chegou bem cedo porque ia ter uma fila para entrar. E, de forma atípica, algumas áreas do STF estavam interditadas para a imprensa. E quando chega a nossa hora já sabemos: o tempo é curto", conta Wilton Junior.

Em dia de sessão no plenário do STF, o espaço é aberto para profissionais de imagens por um tempo limitado. "Para nós é entre 5 e 10 minutos, dependendo do presidente do da Corte. O ministro Edson Fachin permite que a nossa cobertura seja de 10 minutos", explica.

Na terça, mal deu tempo para fazer fotos de alguns dos personagens importantes do dia. Mas o principal deles, Moraes, Wilton não conseguiu fotografar naquela janela inicial. Foi a deixa para buscar uma outra maneira de registrar o rosto do ministro que se vê à beira de uma inédita investigação no STF.

Estadão
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