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"Força-tarefa ajudou a eleger o Bozo", disse procuradora

Mensagem foi enviada ao ministro Lewandowski em diálogo divulgado por hacker; defesa de Lula segue apresentando ao STF mensagens apreendidas

29 mar 2021
15h08 atualizado às 15h36
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15h08 atualizado às 15h36
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A defesa do ex-presidente Luiz Inácio da Silva segue apresentando ao Supremo Tribunal Federal relatórios de análise das mensagens apreendidas na Operação Spoofing – investigação que mirou hackers que invadiram celulares de autoridades como o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, gesticula durante cerimônia para anunciar medidas do banco Caixa Econômica em apoio aos hospitais filantrópicos, em Brasília, Brasil
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, gesticula durante cerimônia para anunciar medidas do banco Caixa Econômica em apoio aos hospitais filantrópicos, em Brasília, Brasil
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Em uma das mensagens que constam no 13º parecer enviado ao ministro Ricardo Lewandowski na manhã desta segunda, 29, uma procuradora chamada Jerusa escreveu: " Temos que entender que a FT (força-tarefa) ajudou a eleger Bozo (Jair Bolsonaro), e que, se ele atropelar a democracia, a LJ (Lava Jato) será lembrada como apoiadora. Eu, pessoalmente, me preocupo muito com isso".

O texto foi destinado ao procurador Deltan Dallagnol, ex-chefe da hoje extinta força-tarefa, no dia 28 de março de 2019. O contexto da frase seria uma tentativa de 'reaproximação com os jornalistas': "Minha opinião é de que precisamos nos desvincular do Bozo, só assim os jornalistas vão novamente ver a credibilidade e apoiar a LJ".

O contexto da mensagem foi a determinação que partiu de Bolsonaro, em 2019, para que o Ministério da Defesa fizesse as 'comemorações devidas' do aniversário do 31 de março de 1964, quando um golpe militar derrubou o então presidente João Goulart e iniciou um período ditatorial que durou 21 anos.

"Agora, com a 'comemoração da ditadura' (embora não tenha vinculação direta com o combate à corrupção), estamos em silêncio nas redes sociais", disse a procuradora a Deltan. Segundo ela, 'defender a democracia' naquele momento 'seria um bom início de reaproximação com a grande imprensa'.

"Não prezamos a democracia? concordamos, como os defensores de bozo, que ditadura foram os 13 anos de governo PT? a LJ teria se desenvolvido numa ditadura? sei que há uma preocupação com a perda de apoio dos bolsominions, mas eles diminuem a cada dia. o governo perde força, pelos atropelos, recuos e trapalhadas, a cada dia. converse com as pessoas: poucos ainda admitem que votaram no bozo (nao sei como Amoedo nao foi eleito no 1º turno pq ultimamente, so me falam que votaram nele)", seguiu a procuradora.

No relatório enviado ao Supremo, os advogados de Lula destacam ainda diálogos de um chat com participação do ex-presidente da Associação Nacional de Procuradores da República e integrantes da 'força-tarefa' da Lava Jato.

Além disso, os advogados do ex-presidente sustentam que a antiga direção da ANPR consultou o grupo de procuradores de Curitiba antes de emitir notas relacionadas a operações que atingiram Lula, como texto divulgado no dia da condução coercitiva do petista (04.03.2016) e quando foi apresentada denúncia contra o ex-presidente, o dia 'coletiva do PowerPoint' (15.09.16).

Na esteira de um pontos tópicos levantados no julgamento que declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso do triplex – a quebra de sigilo que atingiu o escritório dos advogados do presidente – a defesa ainda menciona outros diálogos que teriam relação com os defensores do presidente.

Um das mensagens atribuídas ao procurador Deltan Dallagnol, datada de fevereiro de 2018, registra: "Temos que avaliar esses pagamentos se não são prioridade para o RJ. Tem algum grupo que já estava tratando disso? Alguém já tinha afastado o sigilo do escritório? Se não, é uma oportunidade de ouro pra isso a partir do compartilhamento". Junto do texto, teria sido encaminhada uma matéria intitulada 'Escritório que defende Lula foi quem mais recebeu da Fecomércio do TJ'.

COM A PALAVRA, O PROCURADOR JOSÉ ROBALINHO

À reportagem, o procurador afirmou que assinou como presidente da ANPR 'uma centena de notas' e que, durante os quatro anos que passou na entidade, a dinâmica de produção de notas era a mesma: "um colega é atingido com alguma questão, ele entrava em contato com a ANPR, a nota era preparada, passava pela diretoria e passava de volta para a pessoa - isso era sempre assim, em todos os casos". "Defendemos a Lava Jato a pedido da Lava Jato, quando ela era atacada", completou o procurador. Sobre os diálogos mencionados no chat, o procurador registrou que os grupos foram apagados e que não se recorda.

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Estadão
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