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Política

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Flávio Bolsonaro diz que STF parece 'delegacia de polícia' e que não tem culpa de tarifaço de Trump

Senador participou de evento com presidenciáveis promovido pela CNI

22 jun 2026 - 18h30
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BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, criticou nesta segunda-feira, 22, a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), se eximiu de responsabilidade pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e disse não ser possível o Brasil viver em conflito com os EUA. Flávio Bolsonaro participou nesta segunda-feira, 22, do evento "A indústria na agenda dos presidenciáveis", realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

Segundo o senador, a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) na política, sobretudo em decisões do Congresso Nacional não pode ser aceita. "É inaceitável que neste País nós continuemos sendo submetidos a uma canetada de um ministro do Supremo, que pode, por exemplo, desfazer uma decisão do Congresso Nacional", declarou o parlamentar,

O senador Flávio Bolsonaro ( PL-RJ) voltou a criticar o STF
O senador Flávio Bolsonaro ( PL-RJ) voltou a criticar o STF
Foto: Wilton Junior / Estadão / Estadão

Flávio também se manifestou contra o que considera uma interferência do STF em processos eleitorais, como a indefinição sobre o mandato-tampão para o governo do Rio de Janeiro.

"O Supremo hoje parece mais uma delegacia de polícia, não uma Corte constitucional. A todo momento, um ou outro naquela corte, querendo interferir no processo eleitoral, querendo escolher quem pode ser candidato e quem não pode", disse o senador.

O senador disse ainda que "não tem nenhum cabimento nós continuarmos aceitando essa elevada carga tributária, esse excesso de regulamentação". Também afirmou que, se eleito, fará um "governo pragmático nas relações internacionais".

"Não dá para, a todo momento, provocar a maior democracia do mundo com ofensa, ameaçando o dólar como padrão de comércio internacional, acusando o governo de ser fascista. A única pessoa que quer tarifação de empresas brasileiras é Lula, porque acredita que com isso terá algum benefício eleitoral", disse Flávio.

Ele voltou a negar que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, para aplicar um novo tarifaço sobre o Brasil. "Pedi paciência, aguarde um pouco: a partir de janeiro, o Brasil terá um presidente da República que vai negociar de igual para igual com os EUA", afirmou.

"Vai ser diferente a partir de janeiro de 2027, porque a única certeza que eu tenho é que Lula não será mais o presidente da República a partir do ano que vem", destacou o senador, que também classificou a disputa presidencial como uma escolha entre o "caminho das trevas" e o "caminho da prosperidade".

O senador Flávio Bolsonaro voltou a dizer que, se eleito, irá classificar organizações criminosas como terroristas a partir do ano que vem. Ele também afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "parece ser parceiro" de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e faz "gestos para marginais".

"Quando é que o Lula vai classificar o PCC e CVV como organizações terroristas? Impõem o medo coletivo, dominam territórios. O Estado bem oferecido não consegue entrar por linhagens que são dominadas por eles, é um poder paralelo. E parece que isso faz ser invisível para esse governo. Nós vamos classificar as organizações como terroristas a partir do ano que vem também", afirmou.

"Hoje temos cinco presídios federais. Vamos passar para dez, para deixar isolados esses marginais que são da cúpula dessas organizações narcoterroristas. O primeiro território que nós vamos recuperar são os presídios", prometeu.

Senador promete desburocratizar licenças ambientais e 'tesouraço'

Flávio Bolsonaro disse que, se for eleito, seu governo vai "perseguir incansavelmente" a desburocratização e simplificação de licenças ambientais. "Ibama, ICMBio, vai ser necessário cortar drasticamente essa burocracia", afirmou. As declarações foram feitas nesta segunda-feira, 22, no evento "A indústria na agenda dos presidenciáveis", realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

"A gente pode preservar o meio ambiente e transformar as riquezas do subsolo em riqueza para a população. Por que o indígena não pode separar uma parte da sua terra para ser explorada no subsolo, para a agricultura, para a pecuária, para fazer um grande empreendimento, já que são locais com belezas naturais incomparáveis para todo mundo", disse o presidenciável.

O pré-candidato do PL criticou a reforma tributária aprovada pelo governo Lula e defendeu suspender sua regulamentação. "É uma maluquice. Quase 40% de imposto, quem aguenta? É óbvio que isso vai descambar para inadimplência, para sonegação. Já na curva de Laffer, a gente ficou lá para trás. Então, óbvio que tem que ser feito os ajustes. E quando eu falo de suspender a regulamentação da reforma tributária, é para dar tempo de a gente fazer uma reforma tributária negativa, com redução de carga tributária ao longo dos anos, com previsibilidade, com ajuste fiscal", afirmou.

Flávio disse ainda que pretende fazer uma grande revogação de portarias e decretos do governo Lula caso seja eleito.

"O (ex-)presidente Bolsonaro foi o governo que mais desburocratizou, mais simplificou a legislação, promovia revogaços de instituições normativas, de normas regulamentadoras, de portarias, e nós vamos voltar com isso aqui, além de fazer um grande tesouraço na primeira oportunidade que nós tivermos para revogar milhares dessas normas regulamentadoras, instruções normativas, portarias, decretos, que são inúteis, que servem para atrasar o empreendedor", afirmou.

Ele também disse que mudará o modelo dos leilões de petróleo e defendeu a privatização de estatais já no primeiro ano de seu governo, caso seja eleito.

"Temos aqui o pré-sal na margem equatorial. Olha a burocracia demora em se fazer a concessão, e é o que eu pretendo fazer, mudar o método desses leilões de petróleo para voltar a valer a concessão, ao invés da partilha. Temos algumas estatais que podem ser privatizadas, como algumas dentro da própria Petrobras, que podem dar um impacto de algumas centenas de bilhões de reais, de uma forma, talvez, dentro do primeiro ano de governo ainda", afirmou.

Segundo o pré-candidato, o Brasil passa por uma crise de credibilidade entre os investidores. Ele afirmou que se chegar à Presidência, pretende fazer com que o País esteja entre as sete maiores economias do mundo nos próximos cinco anos.

Também compareceu ao evento o pré-candidato e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Em seguida, deve participar o ex-governador de Goiás e presidenciável Ronaldo Caiado (PSD). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas não participou. O petista cumpre agenda no Rio de Janeiro.

Estadão
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