Flávio Bolsonaro administra ganho político de crise no STF com agenda fechada e live com Nikolas
Em transmissão nesta tarde, ele explorou a narrativa de que Alexandre de Moraes e o presidente Lula são 'uma coisa só', numa tentativa de sua campanha de explorar o escândalo na Corte
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) capitaliza politicamente a crise institucional no STF ao associar a imagem do ministro Alexandre de Moraes à de Lula. Em ascensão nas pesquisas, empatado com o petista em 41%, o senador foca em transmissões próprias, agendas de rua e comícios, evitando entrevistas à imprensa e debates sem o rival. A estratégia bolsonarista mira desgastar o governo federal explorando os conflitos internos da Corte e mobilizando sua base com pedidos de impeachment.
BRASÍLIA — O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) passou o dia nesta terça-feira, 8, em gravações de propaganda eleitoral e reuniões fechadas em Brasília, enquanto aufere ganho político com a crise que se aprofunda no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mais cedo, o ministro André Mendonça havia determinado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em mais um capítulo do colapso institucional pelo qual passa a Corte. A decisão é resultado direto de seu embate com o colega Alexandre de Moraes, tornado protagonista de um escândalo sem precedentes no Supremo após a descoberta de sua relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio participou de uma transmissão ao vivo nesta tarde a partir da nova estrutura de comunicação de sua campanha, o canal TV Celular, gravado num estúdio na Zona Oeste de São Paulo. Poucos segundos após aparecer no vídeo, ele foi direto à narrativa que sua campanha tenta consolidar:
"Ontem eu fiquei muito feliz. Saí da Paulista com a certeza de vitória renovada. Acho que o discurso foi bem aceito, todo mundo entendeu ali que quem vota em Lula está votando no Alexandre de Moraes. (Eles) viraram uma coisa só, é um consórcio", declarou.
O bolsonarismo tem explorado ad nauseam a crise no STF enquanto Flávio surfa um bom momento eleitoral. No comício do 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, o candidato e seus aliados se dedicaram a associar o presidente Lula (PT) a Moraes numa tentativa de desgastar a imagem do petista.
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado, enalteceu Mendonça pelo embate com Moraes na última semana em seu discurso no carro de som, diante das 28,5 mil pessoas que compareceram ao ato, de acordo com levantamento do Monitor do Debate Político da USP e do Cebrap.
"O que você está vendo na Paulista hoje é um milhão de pessoas dizendo que você não está sozinho. Nós vamos fazer o impeachment do ministro Alexandre de Moraes", prometeu.
O candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL-AL), chamou Lula e Moraes de "os dois inimigos do Brasil". O pastor Silas Malafaia lembrou aos manifestantes da importância de eleger senadores neste ano "para colocar um pé na porta de ditadores". Nikolas entoou o "Fora, Moraes" tão logo subiu ao carrom de som.
"Nós vamos tirar esse seu sorrisinho debochado da sua cara. Não vai ser o Lula que vai indicar quatro ministros do STF, vai ser Flávio Bolsonaro. O teu lugar, Xandão, é na cadeia", discursou.
Em faixas e cartazes, o "Fora, Moraes" esteve presente por toda a multidão que compareceu à Avenida Paulista, numa reedição do que foram os atos de ruas durante o governo Bolsonaro, quando atacar o Supremo havia se tornado ainda mais premente do que mirar a esquerda, então na oposição.
A "certeza de vitória" mencionada por Flávio na transmissão desta terça é embasada por pesquisas recentes, que mostram o candidato recuperando o terreno perdido após a eclosão do escândalo "Dark Horse".
"Eu estou muito satisfeito que, se as pesquisas oficiais estão dando a gente tão na frente, é porque a gente está maior do que isso", comentou ele nesta tarde.
Na pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, 7, Flávio desponta com 41% das intenções de voto, empatado numericamente com Lula. Dois meses atrás, o petista tinha 45% e o bolsonarista, 37%: a diferença de oito pontos hoje desapareceu, numa tendência que indica uma ultrapassagem na próxima medição se a curva se mantiver.
Enquanto Lula e Moraes se desgastam, a campanha de Flávio tem lançado mão da estratégia de driblar as entrevistas jornalísticas e, em vez disso, cumprir agendas de rua. Ele vem se queixando a pessoas próximas que tem de responder sempre "às mesmas perguntas" de repórteres, enquanto poderia estar em comícios.
Flávio cancelou uma sabatina que faria à Jovem Pan na sexta-feira passada e tem escolhido não ir aos debates eleitorais se Lula também não comparecer. A ideia é que o candidato do PL não vire a única vidraça dos ataques dos adversários.
Ele deve passar as próximas duas semanas numa série de viagens. Nesta quarta-feira, ele retoma a agenda que tinha sido cancelada em Juiz de Fora (MG) no segundo dia de campanha eleitoral, em 17 de agosto, por conta do mau tempo.
Após uma motociata com apoiadores, ele fará um comício no centro da cidade, no local onde Bolsonaro foi vítima de uma facada em 6 de setembro de 2018, durante a campanha eleitoral que o levaria à Presidência da República. Depois disso, ele deve ter agendas no Norte, Sudeste e Nordeste até a semana que vem.
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