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Fala de Bolsonaro teria sido feita com ajuda de Carlos

Integrantes do "gabinete do ódio" também participaram da elaboração do texto que surpreendeu integrantes do Planalto

25 mar 2020
11h42
atualizado às 12h01
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O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira, 24, pegou de surpresa integrantes do Palácio do Planalto. O discurso, em que pediu o fim do "confinamento em massa" diante da escalada da pandemia do novo coronavírus, foi preparado no gabinete do presidente com a participação de poucas pessoas.

Carlos Bolsonaro.
Carlos Bolsonaro.
Foto: Dida Sampaio / Estadão Conteúdo

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), considerado o mais radical da família presidencial, participou da elaboração do pronunciamento. Também estavam presentes integrantes do chamado "gabinete do ódio", onde atuam assessores responsáveis pelas redes sociais pessoais do presidente e ligados a Carlos.

Até o final da tarde, poucos auxiliares sabiam que Bolsonaro preparava uma declaração em cadeia de rádio e televisão. A decisão de falar à nação foi tomada após as reuniões com os governadores do Sul e do Centro-Oeste. A gravação foi feita à tarde.

O presidente vinha sendo elogiado dentro do próprio governo por se abrir ao diálogo com os governadores e sinalizar uma mudança de postura sobre os efeitos da covid-19, que já havia matado 46 pessoas no País até a noite de terça-feira. O pronunciamento, no entanto, surpreendeu negativamente auxiliares do Planalto que viram um retrocesso na posição de Bolsonaro.

No discurso, o presidente defendeu a reabertura do comércio e das escolas. Segundo ele, a imprensa foi responsável por passar à população da "sensação de pavor" e potencializou o "cenário de histeria."

O presidente disse ainda que, caso contraísse o coronavírus, ele não sentiria nenhum efeito dado o seu "histórico de atleta".

Bolsonaro viajou para os Estados Unidos com ao menos 23 pessoas que receberam diagnóstico positivo para a doença. Há duas semanas, a reportagem pede os resultados dos seus exames para covid-19, mas não obtém resposta. Durante o pronunciamento, Bolsonaro foi alvo de panelaços em ao menos dez capitais. Após o discursos, as críticas ao presidente estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter.

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Estadão
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