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Política

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'Dramática reviravolta' e 'surpreendente': imprensa internacional repercute vitória de Lula

Jornais citam virada de Lula sobre Flávio Flávio Bolsonaro e o não alinhamento do País à tendência recente da América Latina de eleger líderes de direita

26 out 2026 - 00h54
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Resumo
A imprensa internacional repercutiu a reeleição de Lula com 51,79% dos votos contra Flávio Bolsonaro, definindo o resultado como uma reviravolta surpreendente e inédita após ele ficar em segundo lugar no primeiro turno. Veículos estrangeiros destacaram a redução da abstenção, a mobilização contra o legado bolsonarista e o impacto geopolítico da vitória, vista como um freio à onda conservadora na América Latina, além de alertarem para os desafios de Lula diante de um Congresso de oposição.

A imprensa internacional repercutiu neste domingo, 25, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os veículos de comunicação do exterior classificaram o resultado como "dramática reviravolta" e "surpreendente". O petista venceu a disputa do segundo turno com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).

La Nácion destaca reviravolta inédita de Lula no segundo turno
La Nácion destaca reviravolta inédita de Lula no segundo turno
Foto: Reprodução/La Nácion / Estadão

O jornal argentino La Nación destacou o dia da eleição como "polêmico" devido à extensão do horário de votação e chamou a reeleição de Lula de "virada inédita". O texto citou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação até as 19 horas em todo o País. O pedido foi feito pelas duas campanhas.

O jornal aponta a queda na abstenção - de 21% no primeiro turno para 19,21% no segundo turno, que representa cerca de 3 milhões de eleitores no País.

A reportagem repercute ainda na relação diplomática entre Brasil e Argentina. "As ações do presidente argentino Javier Milei, que apoiou abertamente Flávio Bolsonaro após meses de tensão diplomática com Lula, também foram centrais para a campanha. Com a vitória do Partido dos Trabalhadores, a relação entre Buenos Aires e Brasília, os dois principais parceiros do Mercosul, enfrenta um futuro incerto, com um dos países vizinhos apostando abertamente na derrota do presidente reeleito", escreve.

Agência Reuters repercute vitória de Lula
Agência Reuters repercute vitória de Lula
Foto: Reprodução/Reuters / Estadão

A agência de notícias Reuters chamou a vitória de Lula de "resultado surpreendente" por desafiar as últimas pesquisas de intenção de voto e a onda de vitórias da direita na América Latina. Além disso, a agência relembrou a trajetória política do presidente e destacou sua reeleição depois de ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.

"A vitória de Lula priva Trump de um importante reforço para o crescente bloco de governos latino-americanos de direita que adotaram a agenda de Washington em matéria de segurança e migração", citou a agência sobre o cenário internacional e o relacionamento com o governo americano.

A agência destacou que, apesar da vitória, o governo pode encontrar dificuldades de governar em razão de um Congresso mais conservador. "Juntos, o Partido Liberal (PL) de Bolsonaro e os partidos aliados poderiam controlar mais de 280 cadeiras na Câmara dos Deputados e até 50 cadeiras no Senado, o suficiente para maiorias confortáveis em ambas as casas", disse.

A notícia mencionou também a economia, apontando que, segundo as previsões do governo, ela crescerá apenas 2,3% no próximo ano, o que pode agravar as preocupações fiscais ligadas às elevadas taxas de juro e à dívida pública.

The Guardian cita vitória de Lula contra Bolsonaro
The Guardian cita vitória de Lula contra Bolsonaro
Foto: Reprodução/The Guardian / Estadão

O The Guardian, do Reino Unido, afirmou que o presidente reeleito protagonizou uma "dramática reviravolta" ao derrotar Flávio Bolsonaro e conquistar "um quarto mandato histórico".

O jornal também relembrou o resultado do primeiro turno, ocorrido em 4 de outubro, liderado por Flávio. Segundo o jornal, após a conclusão do primeiro turno, o futuro político de Lula foi colocado em dúvida. "Desde o retorno da democracia na década de 1980, nunca antes o segundo colocado no primeiro turno havia vencido o segundo turno", disse.

A reportagem destacou também a participação popular na reeleição do presidente e citou manifestações na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo.

"O político de esquerda de 81 anos parece ter compensado grande parte da diferença através daquilo que seus aliados identificaram como sua principal oportunidade: persuadir seus eleitores a comparecerem às urnas. Após uma taxa recorde de abstenção de 21,08% no primeiro turno, que afetou desproporcionalmente os eleitores de Lula por estes tenderem a morar mais longe dos locais de votação, a taxa caiu para 19,21%", mencionou.

O jornal citou também o cenário para o presidente dos EUA, Donald Trump. "O presidente americano esperava que Bolsonaro se tornasse o mais recente de uma série de líderes pró-Trump a assumir o poder na América Latina, incluindo Abelardo de la Espriella, na Colômbia, Daniel Noboa, no Equador, José Antonio Kast, no Chile, e Javier Milei, na Argentina", escreveu.

The Washington Post cito a eleição de Lula no contexto da América Latina
The Washington Post cito a eleição de Lula no contexto da América Latina
Foto: Reprodução/The Whashington Post / Estadão

O Washington Post, jornal americano, destacou a eleição de Lula para o quarto mandato e citou o governo de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República e pai de Flávio Bolsonaro, como justificativa para a mobilização de eleitores nas últimas semanas.

"Mas a perspectiva de uma restauração de Bolsonaro galvanizou os eleitores. A Presidência de seu pai, de 2019 a 2023, foi marcada por turbulências institucionais e retrocessos ambientais. Jair Bolsonaro minimizou a pandemia do coronavírus, que matou mais de 700 mil pessoas no Brasil, atacou as instituições democráticas e implementou políticas que alienaram mulheres, negros e indígenas", citou o texto.

O governo Trump foi citado como simpático à família Bolsonaro, e o resultado das urnas, como um revés para a construção de um bloco alinhado aos EUA na América Latina.

"Trump não declarou apoio a Flávio Bolsonaro, como fez com seu pai em 2022. Mas seu governo tomou diversas medidas solicitadas pela família Bolsonaro. Impôs tarifas sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades importantes para pressionar o País a arquivar o processo contra Jair Bolsonaro e planejou enviar altos funcionários para questionar a integridade das eleições brasileiras", citou o texto.

O papel das plataformas digitais nas eleições também foi mencionado pelo jornal. "A campanha de Lula acusou a Meta de direcionar suas plataformas em favor de Flávio Bolsonaro, alegando que os resultados de busca marginalizavam ativistas progressistas, vídeos críticos ao candidato de direita eram removidos sem explicação e publicações pró-Lula alcançavam menos pessoas."

Estadão
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