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Política

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Debate Band: Tarcísio e Haddad nacionalizam discussão e divergem sobre privatizações e economia

Candidatos tiveram embates em temas como segurança pública, Cracolândia e educação, além de disputarem a narrativa sobre a relação do Estado com o governo federal

9 ago 2026 - 23h11
(atualizado às 23h20)
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) protagonizaram neste domingo, 9, o primeiro debate entre os candidatos ao governo paulista promovido pelo Grupo Bandeirantes. Ao longo de duas horas, os dois trocaram ataques em temas como segurança pública, economia, educação e privatizações, além de disputarem a narrativa sobre a relação de São Paulo com o governo federal.

Líder nas pesquisas, Tarcísio mesclou a defesa do legado de sua gestão com ataques ao PT e ao governo Lula, numa nacionalização da disputa estadual. Em um dos momentos do debate, comparou o partido a um cupim, que, por onde passa, causa destruição.

O ex-titular da Fazenda também associou o governador ao bolsonarismo e lembrou que o grupo espalha desinformação sobre temas como vacinas e mudanças climáticas e apoiou, em parte, o tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump ao Brasil. O petista ainda investiu em explorar o que considera fragilidades da administração paulista em diferentes áreas, da educação à segurança pública, e acusou Tarcísio de não reconhecer o apoio do governo federal ao Estado.

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad participam de debate na Band, o primeiro entre os candidatos ao governo de São Paulo
Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad participam de debate na Band, o primeiro entre os candidatos ao governo de São Paulo
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

A dinâmica deste domingo foi marcada por provocações entre os dois postulantes ao Palácio dos Bandeirantes. Haddad ironizou o estilo de Tarcísio, a quem chamou de "concurseiro" e "decoreba" por recorrer frequentemente a números para defender os resultados de sua gestão. O governador, por sua vez, insinuou que o petista tinha dificuldade com matemática ao demonstrar incômodo com os dados apresentados por ele.

Na segurança pública, Tarcísio reconheceu que ainda há muito a fazer e disse que deseja, em um próximo mandato, atuar para devolver a sensação de segurança aos paulistas. O governador defendeu os resultados de sua gestão na área, citando a queda nos índices de homicídio e latrocínio e o fim da Cracolândia, problema que assolava o Estado há três décadas. O governador ainda exaltou a parceria com o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e questionou Haddad sobre o programa De Braços Abertos, criado durante sua gestão no Executivo paulistano.

Em um dos momentos de maior tensão do debate, Tarcísio acusou Haddad de ter dividido palanque com uma mulher que, segundo ele, comandava o tráfico na Favela do Moinho. Haddad negou qualquer proximidade com a pessoa citada pelo governador. "Eu não sabia. Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão. Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada do que você está falando", disse o petista. Em seguida, elevou o tom: "Você respeita, baixa a sua bola."

O petista afirmou que a segurança pública em São Paulo não vai bem por falta de "comando" e prometeu, caso eleito, criar um gabinete institucional de segurança pública, que será presidido pelo próprio governador e composto por representantes da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita Federal em São Paulo, além do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Haddad voltou ao tema da segurança em diferentes momentos do debate. Em alguns deles, cobrou Tarcísio pelo aumento dos feminicídios no Estado e citou suspeitas de envolvimento de oficiais da corporação com o crime organizado para questionar as escolhas do governador e do então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), hoje candidato ao Senado. Enquanto Haddad criticava a atuação de Derrite, o ex-secretário, que acompanhava o debate na plateia, riu.

Haddad também cobrou explicações sobre a troca no comando da Polícia Militar e sobre a política de câmeras corporais. "Por que você não colocou a Delegacia da Mulher para funcionar 24 horas? Por que você tirou a câmera funcionando o tempo integral?", questionou. O petista afirmou ainda que Tarcísio deve "uma satisfação ao povo de São Paulo" sobre as escolhas feitas na segurança pública.

A Operação Carbono Oculto, que revelou a infiltração do crime organizado na economia formal por meio de postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimento, também entrou no confronto. Haddad reivindicou protagonismo para o governo federal e destacou a atuação da Receita Federal na deflagração da força-tarefa. Tarcísio, por outro lado, atribuiu à Polícia Civil paulista o papel central na investigação que levou à operação.

A relação entre São Paulo e o governo federal foi outro eixo do debate. Haddad disse que Tarcísio não reconhece o apoio da União ao Estado e citou a renegociação da dívida paulista e os financiamentos obtidos pelo governo paulista por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governador rebateu acusando a Casa Civil de dificultar operações de crédito de São Paulo com bancos estrangeiros. Os dois também trocaram versões sobre a demora do Estado em aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e disputaram a paternidade do túnel Santos-Guarujá.

Tarcísio usa economia para criticar Haddad

Tarcísio usou a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda para desgastar o adversário. O governador perguntou qual conselho o petista daria ao presidente Lula diante do endividamento das famílias, empresas e governo.

Haddad respondeu atribuindo parte dos problemas à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, indicado por Jair Bolsonaro, e afirmou que Lula entregará indicadores melhores que os do governo anterior em termos de inflação, desemprego e crescimento econômico.

Tarcísio insistiu que o problema é a "fragilidade da economia" e citou juros, crédito, endividamento das empresas e das famílias e risco de recessão. "O investidor está pisando no freio", afirmou. Haddad rebateu comparando o desempenho nacional com o paulista: "Por que o Brasil cresce 2,3% este ano e São Paulo cresce 0,4%?"

O governador afirmou que a economia de São Paulo acompanha de perto a do País e que, se o Brasil for mal, o Estado também será afetado. Haddad, porém, voltou a cobrar explicações sobre o desempenho paulista. "Nos últimos 12 meses, o Brasil cresceu 2%, São Paulo cresceu 0,4%, e o governo não sabe por quê", disse.

Ao comentar o tarifaço americano, Haddad elogiou a conduta do governo federal e fez uma provocação a Tarcísio e disse que o governador deveria colocar "o boné certo" e aprovar o Brasil - a fala foi uma referência ao fato de Tarcísio ter posado com um boné escrito "Make America Great Again" após a vitória de Trump. O governador disse no debate que as tarifas prejudicam o País, sobretudo o Estado de São Paulo, mas evitou ataques diretos ao presidente Donald Trump.

Tarcísio diz que é grato a Bolsonaro

A relação de Tarcísio com Bolsonaro foi explorada logo no início do debate. O petista perguntou se Tarcísio manteria indicações ligadas ao bolsonarismo em um eventual segundo mandato e citou as áreas de segurança pública e mulheres.

"Você vai manter a indicação do Eduardo Bolsonaro na Segurança Pública e na Secretaria das Mulheres?", questionou Haddad. Em seguida, afirmou que Tarcísio havia colocado uma parente de Eduardo no comando da pasta voltada às mulheres.

Tarcísio negou que Eduardo Bolsonaro tenha feito indicações para o secretariado e rebateu a fala de Haddad sobre a Secretaria da Mulher. "Nenhuma indicação o Eduardo Bolsonaro fez na secretaria. Primeiro, não é tia, é uma prima distante", afirmou. O governador disse ainda que seu secretariado é "técnico" e prometeu manter esse perfil se for reeleito. "Meu time vai ser profissional. O time vai ser técnico, de pessoas que conseguem dar resultado."

Haddad também provocou Tarcísio sobre sua relação com Jair Bolsonaro. O governador respondeu afirmando que mantém gratidão ao ex-presidente, responsável por levá-lo ao Ministério da Infraestrutura. "Foi a pessoa que me abriu as portas. Gratidão não prescreve", disse Tarcísio. "Um abraço, Bolsonaro. Eu tenho gratidão sempre ao que você fez na minha vida, ao que você representa."

Enquanto ex-presidente foi mencionado no debate diversas vezes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputará a eleição presidencial no lugar do pai, não foi nenhuma. Em dado momento, Tarcísio chamou atenção do adversário por citar tanto o ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar. "Você está muito focado em Bolsonaro, falando Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro. Você quer ser o Bolsonaro, Haddad. Você não está concorrendo com ele mais. Isso foi em 2018, já passou."

Haddad e Tarcísio divergem sobre privatização

A privatização de serviços públicos foi outro tema central, com Haddad acusando Tarcísio de comandar uma "onda privatista" no Estado". O petista citou como exemplo a privatização da Sabesp, um dos temas que mais preocupam a campanha do atual governador, e a concessão do transporte sobre trilhos.

Após afirmar não ser contra parcerias com o setor privado, Haddad disse que Tarcísio vendeu a empresa de saneamento abaixo do preço de mercado e com apenas um concorrente na licitação. O petista também disse que a promessa de que a conta de água diminuiria após a operação não se concretizou.

O governador defendeu a privatização, alegando que ela permitiu ampliar o acesso a saneamento em regiões sem coleta e tratamento de esgoto, e rebateu que a redução da tarifa ocorreu nos primeiros meses, mas não seria possível mantê-la assim por mais tempo, sob risco de a empresa tornar-se "insolvente". " O governador provocou o adversário afirmando que estatais insolventes são a "especialidade da casa" dos governos petistas.

Estadão
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