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CPI do Cachoeira

Conselho de Ética abre processo contra tucano por elo com Cachoeira

Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) teria recebido dinheiro da organização de Cachoeira, segundo a Polícia Federal

17 abr 2013 - 17h46
(atualizado às 17h57)
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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou nesta quarta-feira processo contra o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), por conta de seu envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. 

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O tucano foi flagrado em conversas com o bicheiro, por telefone, e é suspeito de favorecer Cachoeira em licitações do governo de Goiás, sob o comando de Marconi Perilo (PSDB). 

De acordo com investigações da Polícia Federal, o parlamentar teria recebido dinheiro da organização de Cachoeira. Além disso, teria alertado o contraventor sobre uma operação policial e usado o cartão dele para fazer compras. 

Segundo a PF, Leréia e Cachoeira conversaram por telefone pelo menos 72 vezes entre março e julho de 2011. O nome do deputado é citado em outros 26 telefonemas entre o contraventor e supostos membros da organização criminosa.

Uma lista com três parlamentares, de onde sairá o relator do processo, foi apresentada, e a análise do caso deve ser comandada por Ronaldo Benedet (PMDB-SC), ou Missionário José Olímpio (PP-SP) ou Júlio Delgado (PSB-MG). 

O relator poderá iniciar imediatamente a investigação, sem necessidade de relatório preliminar.

Outros processos também são instaurados

Além do tucano, o conselho instaurou processo também contra outros dois deputados nesta quarta-feira. Devanir Ribeiro (PT-SP) foi acusado pelo DEM de quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter se dirigido de maneira imprópria e desrespeitosa ao deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS).Os possíveis relatores do caso são: Cesar Colnago (PSDB-ES), Marco Rogério (PDT-RO) e Izalci (PSDB-DF). 

Outro petista, o deputado Eudes Xavier (CE) é acusado pelo PSB de ter feitos acusações levianas contra o governador do Ceará Cid Gomes (PSB). Para relatar o caso, foram sorteados os deputados José Carlos Araújo (PSD-BA), Missionário José Olímpio (PP-SP) e Marco Rogério (PDT-RO). 

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

Em 21 de novembro, após 265 dias preso, Carlinhos Cachoeira, deixou a penitenciária da Papuda, em Brasília. No mesmo dia, o contraventor foi condenado pela 5ª Vara Criminal do Distrito Federal a uma pena de 5 anos de prisão por tráfico de influência e formação de quadrilha. Como a sentença é inferior a 8 anos, a juíza Ana Claudia Barreto decidiu soltar Cachoeira, que cumpriria a pena em regime semiaberto.

No dia seguinte, o Ministério Público Federal (MPF) de Goiás pediu nova prisão do bicheiro, com base em uma segunda denúncia contra ele e outras 16 pessoas, todos suspeitos de participar de uma intensificação de ações criminosas em Brasília. O pedido foi negado pela Justiça.

No dia 7 de dezembro, Cachoeira voltou a ser preso. O juiz Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiás, condenou o bicheiro a 39 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão por diversos crimes relativos à Operação Monte Carlo e determinou sua prisão preventiva. A defesa recorreu e, quatro dias depois, o juiz federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) concedeu novo habeas-corpus e Cachoeira foi libertado.

Fonte: Terra
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