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Política

CPI: Associação de lobistas diz que atividade não pode ser equiparada a crime

15 set 2021 - 17h22
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A polêmica na CPI da Covid em torno da atuação do empresário Marconny Albernaz de Faria junto ao Ministério da Saúde gerou uma reação da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), que em nota disse condenar "qualquer desinformação" que equipare a atividade de lobby à práticas criminosas, sem citar diretamente o episódio na comissão.

De acordo com a CPI, Marconny teria atuado em nome da Precisa Medicamentos para destravar a compra de milhares de kits de reagentes para teste de covid-19 pelo Ministério da Saúde. A cúpula da comissão exibiu durante o depoimento de Marconny nesta quarta-feira, 15, um passo a passo que teria como objetivo, na visão dos senadores, a burla ao processo licitatório de venda de testes.

Integrantes da comissão resgataram mensagens trocadas entre o empresário e o ex-funcionário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ricardo Santana, em que eles conversam sobre uma "arquitetura ideal" para o negócio no ministério prosseguir.

Na nota, a Abrig afirmou que "eventuais tentativas de corromper o processo de tomada de decisão política para ganhar benefícios escusos é crime, é corrupção". "Mais uma vez: isso não é lobby", disse a entidade.

"Considera inaceitável a confusão entre o trabalho transparente do profissional de RIG com a tentativa de pessoas sem qualificação influenciarem, de forma escusa, processos dentro do governo.Tratar ambas as situações como lobby é um erro grosseiro que desmerece o trabalho de profissionais sérios e dedicados, que lutam pela regulamentação da atividade. A Associação busca blindar a profissão de aproveitadores e dar transparência ao processo legítimo de auxiliar tomadas de decisão dos setores governamental e privado", afirmou.

A Abrig afirmou também que a entidade para regulamentar a profissão e "acabar com a incompreensão que existe sobre o lobby". "Entendemos que essa é a única maneira de evitar que pessoas se aproveitem da falta de regras claras para corromper e cometer crimes", disse.

A associação da atuação de Marconny a um trabalho de lobista foi feita pelo próprio relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). "Esse senhor que está diante desta Comissão Parlamentar de Inquérito, com todo o respeito, era um militante, uma liderança contra corrupção e, depois, se destacou no trabalho de bastidor, de lobby, de defesa de interesses escusos para várias empresas", afirmou Renan.

Estadão
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