Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Política

Com IOF, redes e Eduardo, bolsonarismo abre novas frentes de combate a gestão Lula para repetir Pix

Reação do Congresso e setor empresarial ao aumento do IOF deu nova munição à oposição que ainda quer forçar anistia para acusados do 8 de Janeiro, mas teme perder o foco de sua agenda

29 mai 2025 - 09h40
Compartilhar
Exibir comentários

BRASÍLIA — "O que eu posso fazer se o governo só faz besteira?", respondeu o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) durante um evento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) em Brasília na terça-feira, 27, a um interlocutor que expressava preocupação com a variedade de pautas com que a oposição ao Palácio do Planalto vem tendo de lidar.

O líder da oposição na Câmara se referia ao aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) planejado pelo governo, e tinha potencial para impor nova derrota ao Palácio do Planalto. Sob pressão do setor empresarial e do Congresso, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi obrigada a negociar uma alternativa ao texto de elevação do imposto.

Lideranças do PL se reúnem com Hugo Motta para tentar destravar agenda bolsonarista: anistia, INSS, plataformas digitais, IOF e Eduardo Bolsonaro
Lideranças do PL se reúnem com Hugo Motta para tentar destravar agenda bolsonarista: anistia, INSS, plataformas digitais, IOF e Eduardo Bolsonaro
Foto: Divulgação / Estadão

O bolsonarismo encontrou no episódio do IOF uma nova oportunidade de expor fragilidades do governo petista — ainda que a oposição ao aumento do IOF tenha vindo de todos os lados, do mercado financeiro ao agronegócio. Desde os boatos sobre a taxação do Pix em janeiro, quando o Palácio do Planalto precisou recuar do aumento na fiscalização da Receita, o bolsonarismo vinha buscando emplacar suas próprias pautas.

Nesse meio tempo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros aliados foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF e se tornaram réus por tentativa de golpe. Ele pode ser preso ao fim do julgamento.

O grupo ligado a Bolsonaro insiste na aprovação da anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro; quer investigar as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); tenta barrar a ação do governo Lula no Supremo Tribunal Federal (STF) contra as plataformas digitais; e bombardeia a investigação contra Eduardo Bolsonaro.

O temor na bancada do Partido Liberal, no entanto, é perder o foco da pauta principal: o perdão aos envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro, que pode beneficiar Bolsonaro. O comentário de Zucco reflete uma saturação de frentes de batalha a que o bolsonarismo se submete. Enquanto mantém a pressão para salvar tanto os presos do 8 de Janeiro quanto o próprio ex-presidente da condenação, lideranças bolsonaristas dizem não poder ignorar as crises de imagem sofridas pelo governo Lula.

A bancada bolsonarista se reuniu na terça-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), preocupada com a agenda emperrada. Todos os assuntos citados foram tratados. Do projeto da anistia à criação de uma CPI para o INSS. Motta afirmou, segundo um participante do encontro, que vai se dedicar a construir um texto sobre a anistia do 8 de Janeiro que possa conquistar maioria no plenário.

A proposta está parada desde que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que ficaria encarregado de chegar a um novo projeto, em alinhamento com Motta e o STF. A bancada do PL vê a ação do senador como "protelatória" e se queixa de não ter sido ouvida para a elaboração do texto.

Os bolsonaristas também o cobraram da instalação da CPI para investigar os descontos irregulares das contas dos aposentados e pensionistas do INSS. A bancada do PL sugeriu a Motta emplacar o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) na presidência ou na relatoria da CPI mista que já tramita no Senado — o governo federal tem planos para fazer da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) a relatora ou presidente da comissão, visando manter controle sobre o colegiado.

O grupo bolsonarista reclama também do fato de a Advocacia-Geral da União (AGU) ter pedido ao Supremo medidas para interromper disseminação de notícias falsas e violência digital nas plataformas digitais. A oposição diz acreditar que se trate de uma possibilidade de o Judiciário impor, "de forma unilateral, restrições severas à liberdade digital no Brasil". A bancada sugeriu criar uma comissão geral na Câmara para ouvir representantes das empresas de tecnologia e evitar que haja uma regulação via STF.

Na terça-feira, bolsonaristas botaram para funcionar a subcomissão de fiscalização dos direitos do presos do dia 8 de Janeiro, presidida por Coronel Meira (PL-PE) e com Alexandre Ramagem (PL-RJ) na vice. "Isso não é justiça. Isso é crueldade política travestida de moral, e tem um nome: Alexandre de Moraes. Vamos visitar presídios, ouvir as famílias, denunciar cada irregularidade", declarou Meira no pontapé das atividades.

"A ideia (da subcomissão) é manter o assunto quente. Vamos visitar os presos, fazer audiências com nomes importantes como o ex-presidente Michel Temer, o Marco Aurélio Mello (ex-ministro do STF)", afirmou Zucco.

Por fim, lideranças bolsonaristas entendem que têm pouco a fazer na questão de Eduardo Bolsonaro — o ministro do Supremo Alexandre de Moraes autorizou a abertura de um inquérito para investigar o deputado pela atuação nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Podem, no máximo, manifestar solidariedade. Foi o que a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara fez, nesse mesmo dia, ao aprovar uma moção de apoio ao deputado licenciado.

Estadão
Compartilhar

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra