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Política

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Cartilha do PT ensina como eleitor 70+ pode ajudar Lula no 2º turno: 'Ouçam mais do que falem'

Campanha estabelece principais pontos de críticas a Flávio Bolsonaro, a maior parte delas envolvendo o governo de Jair Bolsonaro

8 out 2026 - 15h00
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Resumo
A campanha de Lula lançou uma cartilha voltada a atrair o eleitorado com mais de 70 anos no segundo turno, segmento cujo voto é facultativo e estratégico para o petista. O material orienta a militância a priorizar a escuta sobre sermões e focar em relatos pessoais em vez de dados técnicos. O guia sugere focar em temas como Farmácia Popular, Previdência e a pandemia de covid-19 para criticar o governo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, além de ajudar ativamente idosos indecisos a irem às urnas.

BRASÍLIA - A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, na noite desta quarta-feira, 7, uma cartilha com táticas para convencer o eleitor que tem mais de 70 anos a ir votar no segundo turno.

Esse material oferece um guia sobre o que falar com indecisos, como criticar Flávio Bolsonaro (PL) e quais os melhores assuntos para se debater.

Cartilha tem três orientações principais para apoiadores falarem sobre Lula.
Cartilha tem três orientações principais para apoiadores falarem sobre Lula.
Foto: Reprodução / Estadão

O guia apresenta oito sugestões de linhas de críticas a Flávio - a maior parte delas envolvendo o governo de Jair Bolsonaro (PL). São elas: atuação na pandemia de covid-19, Previdência e salário mínimo, cortes na Farmácia Popular, liberação de armas para a população, escândalo do INSS, mudanças de versões ditas por Flávio no caso do Banco Master, cortes nos gastos públicos anunciados pelo presidenciável e investigação contra o candidato do PL pela Polícia Federal pelo caso "Dark Horse".

"O atraso na vacinação, causado pelo Bolsonaro, matou ao menos 47 mil idosos. E ele ainda debochava das vítimas", diz a cartilha.

O material pede para que militantes ao abordar pessoas "ouçam mais do que falem". "Ouça mais do que fale. Ninguém muda de ideia levando sermão. Perguntas como 'E você, como está de remédio esse ano? E como foi durante a época do Bolsonaro?' abrem mais portas que dez argumentos", afirma.

Lula disputa o segundo turno da eleição presidencial
Lula disputa o segundo turno da eleição presidencial
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Há também orientações para que é melhor focar em histórias do em que números precisos. "Você não precisa decorar estatística. A sua vida é o melhor argumento. 'Hoje meu neto está na faculdade' ou 'Eu perdi amigos queridos para a covid porque não tinha vacina'. Isso convence mais que qualquer gráfico", diz.

Assim como já tinha sido feito no primeiro turno, esse material pede para que voluntários estabeleçam um plano para convencer pessoas com mais de 70 anos a ir votar. Esse roteiro envolve escolher duas pessoas dessa faixa etária que podem acabar ficando em casa, conversar, incentivar e ir votar junto.

"Lembre: quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo. Entenda o que pode dificultar a ida e ajude a resolver. Combine local, horário, documento e, se preciso, vá junto. Na véspera, confirme: "Tá tudo certo pra amanhã?", orienta.

A campanha definiu esse segmento como um dos prioritários nessas eleições. Pesquisas de intenção de voto divulgadas no primeiro turno mostravam que Lula tinha vantagem contra Flávio entre os eleitores com mais de 70 anos. A estratégia permanece mesmo depois do revés após a totalização das urnas neste domingo, 4, em que Flávio apareceu à frente do presidente.

São 17 milhões de eleitores com mais de 70 anos aptos a votar nesta eleição. O voto é facultativo para esse público. "Muita gente que votaria no Lula pode acabar ficando em casa", diz o texto.

Como mostrou o Estadão, Gilberto Carvalho, aliado histórico e um dos principais coordenadores da campanha de Lula, falou para apoiadores nesta terça-feira, 8, quais são as principais estratégias para angariar votos ao presidente no segundo turno. Para ele, o foco é falar com os indecisos.

"Não vale a pena perder tempo com bolsonarista renhido, cristalizado. Não dá para ficar entre os convertidos, temos que buscar o indeciso, o eleitor pêndulo. Aquele que votou no Cury, mesmo no Renan (Santos), (Ronaldo) Caiado", disse. Ele também pediu mais diálogo com as igrejas evangélicas e com a Igreja Católica. Neste ano, 33 milhões de eleitores não foram votar.

Além desse material oficial para apoiadores com mais de 70 anos, a reportagem identificou outros dois guias para convencer eleitores a votarem em Lula. "Não é falar com mais gente. É falar com a pessoa certa", diz um desses materiais, que foi confeccionados por voluntários próximos da campanha de Lula.

Estadão
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