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Bolsonaro fala em consultar SP sobre voto impresso

Presidente fez discurso confuso neste domingo e voltou a falar de fraudes sem apresentar provas

1 ago 2021 14h52
| atualizado às 14h57
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Em um discurso confuso em defesa do voto impresso e novamente sem apresentar provas de fraude nas eleições, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou neste domingo, 1º, que, "se preciso for", fará um convite para que o "povo de São Paulo" se pronuncie sobre mudanças no sistema de votação.

Sem máscara, Jair Bolsonaro participa de evento em Presidente Prudente
Sem máscara, Jair Bolsonaro participa de evento em Presidente Prudente
Foto: Marcos Corrêa/PR

"Se o povo lá disser que o voto tem que ser auditado, que a contagem tem que ser pública, e que o voto tem que ser impresso, na forma como se propõe a PEC da (deputada) Bia (Kicis), tem que ser desta maneira", disse Bolsonaro.

O presidente não explicou por que e como seria feita uma eventual consulta à população de São Paulo sobre o voto impresso. O Estado tem o maior colégio eleitoral do País. Bolsonaro também não citou a possibilidade de consulta a outras unidades da Federação e não explicou por que apenas São Paulo seria ouvida.

A ideia do voto impresso está materializada na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/2019, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF). A proposta está em comissão especial da Câmara, que retomará os trabalhos na próxima semana, após o recesso parlamentar. A tendência é de que PEC seja derrotada. Nos últimos dias, Bolsonaro tem intensificado o discurso a favor do voto impresso, numa tentativa de emplacar a proposta no Congresso.

Neste domingo, em fala por telefone a apoiadores de Brasília, durante ato a favor da proposta, Bolsonaro afirmou que não está, "em hipótese alguma, querendo impor" sua vontade. "É a vontade de vocês", disse o presidente. "Quem fala que a eleição é auditada é mentiroso. É quem não tem amor à democracia", acrescentou.

Na última quinta-feira, 29, Bolsonaro havia apresentado, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, uma mistura de fake news, vídeos descontextualizados que circulam há anos na internet e análises enviesadas sobre números oficiais da apuração dos votos para atacar o atual sistema. Ao mesmo tempo, admitiu não ter provas, mas sim "indícios" de irregularidades.

No ato deste domingo, Bolsonaro voltou a citar supostas irregularidades em eleições ocorridas em São Paulo. Ele não se aprofundou sobre a questão nem forneceu argumentos que embasassem sua desconfiança. Nas redes bolsonaristas, o pleito presidencial de 2014 em São Paulo é citado como um "exemplo" - nunca corroborado pela Justiça Eleitoral - de fraude.

Bolsonaro e seu grupo político defendem eleições com o uso de papel, justamente como forma de garantir que não haja fraudes - embora o sistema eletrônico não tenha apresentado fraudes desde que foi lançado, na década de 1990.

No ato deste domingo, 1º, Bolsonaro também afirmou que a maioria dos deputados federais seria favorável ao voto impresso. Conforme o presidente, a ideia já encontra respaldo, inclusive, entre a maioria da população brasileira. "Somos a maioria no Brasil, estamos do lado certo. Não vamos esperar acontecer para depois tomar providências. Juntos faremos o que for necessário para que haja contagem pública e eleições democráticas", acrescentou Bolsonaro, sem explicar o que seria "fazer o necessário".

Estadão
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