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Após crítica, tucano será relator de prisão de bolsonarista

Deputado Carlos Sampaio gravou vídeo nas redes sociais em que condena atitude de colega que foi preso após ordem do STF

19 fev 2021
00h01
atualizado às 07h33
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O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) será o relator do processo sobre a prisão de seu colega Daniel Silveira (PSL-RJ), preso na noite de terça-feira, 16, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, após dirigir ameaças e ofensas aos integrantes da Corte e fazer apologia da ditadura militar. A Câmara decidirá hoje o destino de Silveira e a tendência é que mantenha a prisão.

Deputado Carlos Sampaio vai ser o relator do caso Daniel Silveira
Deputado Carlos Sampaio vai ser o relator do caso Daniel Silveira
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press

Antes de ser escolhido pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), como relator do caso, Sampaio publicou um vídeo em sua página no Facebook condenando a atitude de Silveira.

"Não se pode conceber que, a pretexto dessa mesma liberdade (de expressão) você venha incitar movimentos antidemocráticos. E, mais do que isso, o uso da violência e da ameaça para constranger ministros da mais alta Corte do nosso País", disse o tucano, que é ex-promotor, nesta quarta-feira, 17.

Líderes de pelo menos 11 partidos vão orientar suas bancadas a votar pela manutenção da prisão de Silveira. Como mostrou o Estadão, a mudança na estratégia para salvar o deputado ocorreu depois que o plenário do Supremo ratificou por unanimidade (11 a zero), nesta quarta, a decisão de Moraes, responsável por determinar a prisão em flagrante do parlamentar. Os deputados, muitos deles investigados, como o próprio Lira, não querem afrontar a Corte.

Além disso, antes mesmo da conversa entre Lira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta quinta, 18, a equipe econômica já havia manifestado preocupação com o fato de o imbróglio político prejudicar a votação de medidas importantes, como as reformas.

O argumento de que a Câmara não pode perder tempo com crises envolvendo um deputado extremista, em detrimento de uma pauta necessária para a retomada da economia, serviu para convencer até o Centrão a abandonar Silveira.

Até agora, o presidente Jair Bolsonaro não se pronunciou sobre a prisão do aliado. Apoiadores do presidente, no entanto, têm usado as redes sociais para pressionar deputados a votar pela liberdade de Silveira. A hashtag #DanielSilveiraLivre é um dos principais assuntos do Twitter.

"Os parlamentares prestarão contas se ratificarem a decisão ilegal do STF", disse o presidente do PTB, Roberto Jefferson.

O pastor Silas Malafaia ameaçou fazer campanha contra os deputados da bancada evangélica que votarem por manter a prisão do deputado. "Deputado evangélico que votar em favor dessa aberração jurídica de manter um deputado preso por suas falas vou denunciar (...), para nunca mais ser votado por nós", afirmou Malafaia.

Veja também:

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Estadão
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