Anotações apreendidas com empresária indicam 'Mario' como sócio da produtora de 'Dark Horse'
Anotações apreendidas pela Polícia Civil apontam "Mario" como sócio da Go UP Entertainment, produtora do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. O deputado federal Mario Frias, alvo de buscas, destinou emenda de R$ 2 milhões que teria abastecido a obra em ao menos R$ 750 mil, além de haver suspeitas de desvio de contratos de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP. O STF autorizou relatórios do Coaf para rastrear as remessas aos EUA. Frias nega irregularidades na execução das emendas.
Anotações em papel apreendidas em junho pela Polícia Civil de São Paulo em endereço identificado como a residência da empresária Karina Gama apontam para "Mario" como sócio da sua produtora, a Go UP Entertainment, responsável por Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com investigadores, a obra recebeu recursos de uma emenda de R$ 2 milhões do deputado federal Mario Frias (PL-RJ), alvo de busca e apreensão na sexta-feira, 11. Ele afirma não ter relação com a execução dos valores.
Procurada no domingo, 13, mesmo dia em que os autos da investigação foram divulgados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, a assessoria de Frias não quis se manifestar. Seu assessor, identificado como Diego, afirmou que o gabinete só funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira.
Criticou o que considerou "importunação da reportagem" e afirmou que foi desrespeitado por ter recebido mensagens e uma ligação telefônica no fim de semana.
O advogado de Karina, Ricardo Sayeg, disse não saber da participação do parlamentar nos negócios de sua cliente, mas afirmou que a prática, se confirmada, não configuraria ilícito.
"A Go Up é uma empresa privada que tem todo o direito de captar sócios. Não estou confirmando a informação, mas ainda que fosse (verdadeira), não teria a menor irregularidade. Me parece haver uma demonização, mas a defesa não vai aceitar essa demonização. O parlamentar não tem qualquer impedimento de fazer parte de uma sociedade"
Conforme revelou o Estadão, a Polícia Federal estima que ao menos R$ 750 mil de recursos indicados pelo parlamentar foram parar na produção do filme.
Os manuscritos também associam o financiamento do longa-metragem ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), do qual Karina era representante. A entidade firmou contratos no valor de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para o fornecimento de sinal Wi-Fi em áreas públicas da cidade.
Inquérito sob relatoria do ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura se esses acordos tinham como finalidade abastecer a produção do filme.
As anotações encontradas em posse de Karina são um esboço de uma espécie de organograma com detalhes sobre o caminho do dinheiro do ICB até a produtora. O esquema contém uma caixa em que está escrito "Go Up BR". Uma linha a conecta a outra, na qual se lê "Go Up USA".
É nesta segunda caixa da qual sai uma seta que aponta para a anotação "sócio Mario".
Uma linha entre as duas caixas apresenta um círculo dentro do qual está anotado "IOF", em alusão ao Imposto sobre Operações Financeiras. O tributo é pago em transações para o Exterior e indicam que valores foram remetidos aos Estados Unidos.
Dino autorizou, neste domingo, 13, a produção de relatórios de inteligência financeira. Esses materiais, elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) permitem detalhar movimentações entre contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas.
O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo já haviam requisitado o procedimento, que ainda não havia sido autorizado pela Justiça.
Dark Horse também recebeu investimento de aproximadamente R$ 64 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Uma de suas empresas, a Entre Investimentos aportou os valores por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro.
O ex-deputado brasileiro vive, desde de fevereiro do ano passado, na Flórida, onde trabalha para aproximar sua família do presidente americano, Donald Trump. Um inquérito sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes apura se ele atuou para estabelecer sanções contra o Brasil.
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