PF prende cinco pessoas em operação contra suspeita de desvios milionários da saúde no Ceará e na Paraíba
Justiça também determinou afastamento de gestores e medidas sobre imóveis e veículos; investigação apura o uso de empresas de fachada.
A Polícia Federal e a CGU deflagraram a Operação Coaptação, prendendo cinco pessoas e cumprindo 24 mandados de busca no Ceará e na Paraíba por desvios na saúde pública. A investigação apura fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro via empresas de fachada após saques suspeitos. A principal empresa recebeu mais de R$ 1 bilhão desde 2007. A Justiça determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos, além do afastamento de cinco gestores para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.
Cinco pessoas foram presas preventivamente nesta quinta-feira, 8 de outubro, durante uma operação que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos destinados à saúde no Ceará e na Paraíba. A ação da Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), também cumpriu 24 mandados de busca e apreensão.
Batizada de Operação Coaptação, a ofensiva alcançou Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará, além de Campina Grande, na Paraíba. As ordens judiciais foram autorizadas pela 32ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará.
Saques em dinheiro deram início à investigação
A apuração começou após a identificação de movimentações financeiras suspeitas envolvendo saques em espécie. A partir desses registros, os investigadores passaram a examinar a destinação de valores provenientes de contratos públicos na área da saúde.
A suspeita é que o grupo utilizasse empresas de fachada e documentos com informações falsas para retirar recursos dos contratos. Além dos possíveis desvios, são investigados crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental.
Empresa recebeu mais de R$ 1 bilhão
A principal empresa investigada recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos públicos de origem federal entre 2007 e 2025, por meio de contratos com estados ou municípios.
Esse montante corresponde aos repasses recebidos no período e não deve ser confundido com o valor dos supostos desvios. O comunicado da Polícia Federal não apresenta uma quantificação definitiva do prejuízo investigado.
Justiça determina medidas sobre patrimônio
A decisão judicial determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos supostamente vinculados aos investigados. Também houve autorização para a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao caso.
Durante a operação, foram cumpridos ainda dois mandados de sequestro para apreensão de veículos. As medidas patrimoniais buscam preservar bens que possam ser utilizados em eventual ressarcimento aos cofres públicos e impedir sua transferência ou ocultação.
Cinco gestores também foram afastados cautelarmente de funções gerenciais, financeiras ou de representação da principal entidade investigada. A determinação abrange outras entidades semelhantes contratadas pelo poder público e a administração das pessoas jurídicas sob investigação. Os nomes dos alvos não foram informados na divulgação consultada.
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