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Polícia

PF ajudará o Rio de Janeiro a pacificar o Morro da Mangueira

2 dez 2010 - 02h35
(atualizado às 06h41)
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O primeiro passo para a pacificação do Morro da Mangueira foi dado nessa quarta-feira. Em reunião com o governador Sérgio Cabral, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, acertou, segundo fontes da PF, que seus agentes irão colaborar com o Estado para expulsar criminosos da comunidade.

O encontro aconteceu no Palácio Guanabara, em Laranjeiras. Corrêa garantiu a Cabral que a PF está à disposição do Rio. Ele ainda acertou que os agentes federais vão colaborar no rastreamento de armas de traficantes, além de trabalhar no monitoramento de fronteiras. Nesta quarta, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, foi ao Alemão, pela primeira vez após a ocupação, acompanhado de integrantes da cúpula da polícia do Rio.

"Percebi, nessa caminhada, muitos acenos discretos de moradores que ainda veem com desconfiança nossa chegada. Isso é natural. Cabe a nós provarmos, com nossas ações, que nós temos as melhores intenções de trazer a paz para os moradores do Alemão. Estamos aqui e vamos permanecer. O que nos interessa é tirar essas quase 400 mil pessoas dessa masmorra de fuzil, dessa masmorra de ditadura", afirmou Beltrame.

A Mangueira é hoje o principal reduto da facção criminosa de traficantes que provocou ataques na cidade e acabou motivando a ocupação do Alemão e da Vila Cruzeiro, o Comando Vermelho. O líder do tráfico de drogas na Mangueira é Alexander Mendes da Silva, o Polegar, que está foragido e tinha até uma mansão no Alemão, onde se refugiava. O bandido teria voltado à favela após a ocupação policial no Alemão, assim como seu comparsa Lúcio Mauro Carneiro dos Passos, o Biscoito, entre outros. Sábado, agentes da Polícia Civil prenderam sua mulher, Viviane Sampaio, acusada de lavagem de dinheiro.

Dinheiro em caminhões
A Delegacia de Roubo e Furto de Cargas investiga se motoristas de caminhões de bebidas estão sendo obrigados a retirar dinheiro do tráfico do Alemão para outras favelas. Nesta quarta-feira, um caminhoneiro relatou que foi obrigado a levar R$ 8 mil para a Mangueira. Segundo o motorista, traficantes estariam retirando da comunidade até R$ 10 mil por dia nos caminhões.

Os valores seguiriam no cofre do veículo, junto à quantia referente às vendas e entregas, em torno de R$ 2,5 mil por dia. Os policiais, a partir de agora, vão vasculhar os veículos e checar notas dos produtos. "Notifiquei a Delegacia de Cargas e vamos investigar. Também vamos aumentar a revista a esse tipo de caminhão", afirmou o delegado Rodrigo Oliveira, subchefe da Polícia Civil.

Nesta quarta, começaram a ser incineradas nos fornos da siderúrgica CSN, em Volta Redonda, as drogas apreendidas nas ações.

Suspeitos de fugir do Alemão invadem casa
Seis bandidos armados invadiram casa no alto da Estrada da Vista Chinesa e mantiveram reféns três pedreiros e um perito da Polícia Federal, dono do imóvel. A polícia suspeita que entre eles estivessem traficantes que escaparam do cerco ao Alemão. O bando estava refugiado no imóvel desde terça à noite.

Ontem à tarde, quando o policial chegava para fazer vistoria na obra da casa, encontrou os pedreiros amarrados e acabou rendido. Após 2 horas como refém, conseguiu escapar e se escondeu em casa vizinha. Policiais federais e do Bope vasculharam a mata da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, mas não localizaram nenhum bandido.

Ministro quer gravar advogados
O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, anunciou nesta quarta que quer gravar as conversas de advogados e familiares nos quatro presídios federais ¿ onde há 82 presos do Rio ¿ e cortar as visitas íntimas dos traficantes da facção criminosa Comando Vermelho. O objetivo é impedir que os bandidos continuem, das cadeias, dando ordens aos seus aliados.

Como O Dia publicou com exclusividade sexta passada, gravações telefônicas comprovaram que os traficantes Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, repassaram aos advogados Beatriz da Silva Costa de Souza, amante de Marcinho, Flávia Pinheiro Fróes e Luiz Fernando Costa, as ordens para os ataques na ruas da cidade. Eles estão foragidos da Justiça.

O diretor do presídio de Catanduvas, no Paraná, Fabiano Bordinon, disse que o sistema de gravações da unidade flagrou, em abril, conversa de Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor, com Beatriz, na qual ele encomendava 13 fuzis.

A Ordem dos Advogados do Brasil é contra a gravação de conversas entre advogados e clientes. Ontem, a Justiça Federal autorizou transferência de seis presos no Alemão para Catanduvas. Um deles é Elizeu Felício de Souza, o Zeu, envolvido na morte do jornalista Tim Lopes.

Restos de roupas em tubulação na Avenida Itaóca
A análise do mapa das redes de esgoto construídas sob o complexo de favelas do Alemão levou os agentes do Bope a uma passagem por onde mais de 50 traficantes armados teriam conseguido fugir. O local desemboca na Avenida Itaóca, a menos de 100 m de uma das vias de acesso à Favela Nova Brasília, que é vigiado por militares do Exército.

De acordo com informações repassadas à polícia, a fuga teria ocorrido no início da manhã de domingo, momentos antes da entrada das tropas no Alemão. Às margens do valão que se forma na saída da galeria de esgoto, os policiais encontraram várias peças de roupas e calçados que seriam dos traficantes. Preso no último dia 28, o traficante Emerson Ventapane da Silva, o Mão, confessou ter usado esta galeria para tentar escapar do cerco policial.

Violência

A onda de violência no Rio de Janeiro teve início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis incendiaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer). Na terça-feira, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal se juntaram às forças de segurança no combate à onda de violência que resultou em mais de 180 veículos incendiados.

Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tomaram a vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Alguns traficantes fugiram para o Complexo do Alemão, que foi cercado no sábado. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do Complexo do Alemão, praticamente sem resistência dos criminosos, segundo a Polícia Militar. Entre os presos, Zeu, um dos líderes do tráfico, condenado pela morte do jornalista Tim Lopes em 2002.

Desde o início dos ataques, pelo menos 39 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro e 181 veículos foram incendiados.

Fonte: O Dia
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