O protesto contra o possível aumento da passagem de ônibus e a realização da Copa do Mundo em Porto Alegre terminou com 17 pessoas detidas na noite de quinta-feira. Entre eles estavam oito adolescentes, que foram acusados de pichação, vandalismo e dano ao patrimônio público. Eles foram encaminhados ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca). Os outros nove detidos foram apresentados em uma delegacia e respondem pelos mesmos crimes; um deles ainda foi flagrado com entorpecentes.
O movimento foi organizado pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público e reuniu cerca de 1,2 mil manifestantes. Apenas um grupo formado por aproximadamente 20 pessoas com o rosto coberto foi responsável pelos atos de vandalismo. Agência bancárias foram atacadas e duas delas tiveam vidros quebrados na região central da capital gaúcha. Um parquímetro foi destruído e três contêineres de lixo, incendiados. A Polícia Militar apenas acompanhou o protesto durante as primeiras horas, mas deteve alguns participantes após o registro de vandalismo.
Centenas protestam por passe livre e contra Copa em Porto Alegre
23 de janeiro - Guarda municipal acompanhou sem intervir a concentração dos jovens em frente à prefeitura de Porto Alegre, no centro da capital
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - A marcha convocada pelo Bloco de Lutas pelo Transporte coincidiu com a abertura do Fórum Social Temático, e pedia, além de passe livre para os ônibus municipais, a suspensão da Copa do Mundo de Futebol
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Mobilização contra aumento da passagem é comum nesta época do ano em Porto Alegre. Apesar do prefeito José Fortunati ter anunciado que não haverá reajuste, os manifestante pleiteiam agora passe livre
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - A série de manifestações em Porto Alegre deu origem aos protestos contra aumento das passagens em todo o Brasil, que se potencializaram em junho de 2013
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - A manifestação começam pacífica, com a presença de mascarados. Os policiais não interviram na saída da marcha
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Entre os gritos de guerra, os manifestantes chamavam o prefeito de "mercenário" e diziam que "os ricos devem pagar a conta do passe livre"
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Além da reivindicação quanto ao transporte público, os jovens presentes gritavam que "não vai ter Copa" e pediam que o dinheiro fosse investido em saúde e educação
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Porto Alegre receberá quatro jogos da Copa. O estádio Beira-Rio foi reformado com verba privada, mas algumas obras públicas - como os corredores de ônibus BRT - não ficaram prontas a tempo do evento
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - A convocação pelas redes sociais pedia ainda a "descriminalização das lutas populares"
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Centenas de manifestantes seguiram em marcha pela avenida Borges de Medeiros, que foi fechada na altura da prefeitura, em direção do túnel da Conceição
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - "Vamos enfrentar novamente a máfia do transporte e o prefeito Fortunatti, por um transporte 100% público, de qualidade e popular. Chega de filas! Chega de ônibus lotado nas periferias", dizia a convocação do ato
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Protesto começou pacífico, com banda e beijos na boca
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Um carro de som acompanhava a marcha
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Protesto circundou o Mercado Público de Porto Alegre
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Alguns jovens usavam nariz de palhaço, além de máscaras
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - O Batalhão de Operações Especiais (BOE) e a cavalaria da Brigada Militar seguiram a marcha com alguns metros de distância
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - O calor abafado e com temperatura de 36ºC não desanimou os jovens
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
23 de janeiro - Além da Brigada Militar, carros da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) acompanharam a marcha
Foto: Letícia Heinzelmann / Terra
6 de fevereiro - Única ocorrência registrada pela Polícia Militar foi a depredação de um automóvel estacionado
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - Policiais Militares acompanharam a manifestação, que não registrou confrontos
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - Marcha pelas ruas do centro de Porto Alegre atraiu manifestantes de todas as idades
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - A manifestação de apoio à greve dos rodoviários abrigou diversas reivindicações, como o repúdio à Copa do Mundo e o fim da Brigada Militar (a PM gaúcha)
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - Centenas de manifestantes saíram em caminhada por volta das 20h
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - Grupo de manifestantes atirou bexigas com tinta na fachada da prefeitura de Porto Alegre
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - Cerca de 10 guardas municipais montaram cordão de isolamento em frente à prefeitura
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - Manifestantes se concentraram em frente à prefeitura de Porto Alegre para pedir o passe livre no transporte público
Foto: Marcelo Miranda Becker / Terra
6 de fevereiro - Guarda municipal aponta taser para manifestante. Outro guarda fora atingido por balão de tinta
Foto: Carlos Ferrari / Futura Press
2 de abril - Guarda Municipal jogou jatos d'água contra os manifestantes em frente à prefeitura de Porto Alegre
Foto: Daniel Favero / Terra
2 de abril - Protesto em Porto Alegre teve confusão entre manifestantes e a polícia. Batalhão de Operações Especiais jogou bombas de efeito moral para disperar multidão
Foto: Carlos Ferrari / Futura Press
2 de abril - Manifestante atira pedra contra Guarda Municipal em frente à Prefeitura de Porto Alegre
Foto: Carlos Ferrari / Futura Press
2 de abril - Guarda Municipal afasta grupo usando jatos d'água
Foto: Carlos Ferrari / Futura Press
2 de abril - Manifestante fica ferido em confusão durante protesto contra aumento da passagem de ônibus em Porto Alegre
Foto: Carlos Ferrari / Futura Press
10 de abril - Cerca de 300 integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público realizam manifestação em frente à prefeitura de Porto Alegre. Os manifestantes mantêm acampamento no local, onde foram colhidas assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular para o transporte, prometendo deixar a ocupação apenas quando atingirem 50 mil nomes
Foto: Cau Guebo / Futura Press
10 de abril - Cerca de 300 integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público realizam manifestação em frente à prefeitura de Porto Alegre. Os manifestantes mantêm acampamento no local, onde foram colhidas assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular para o transporte, prometendo deixar a ocupação apenas quando atingirem 50 mil nomes
Foto: Cau Guebo / Futura Press
10 de abril - Cerca de 300 integrantes do Bloco de Luta pelo Transporte Público realizam manifestação em frente à prefeitura de Porto Alegre. Os manifestantes mantêm acampamento no local, onde foram colhidas assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular para o transporte, prometendo deixar a ocupação apenas quando atingirem 50 mil nomes
Foto: Cau Guebo / Futura Press
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Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba,
A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.
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