Especialista admite possibilidade de erros em ligações entre Mizael e vigia
O engenheiro Eduardo Amato Tolezani foi o responsável por um relatório que mostrou as ligações telefônicas entre Mizael Bispo e o vigia Evandro Bezerra da Silva
O engenheiro Eduardo Amato Tolezani, responsável por um relatório que mostrou as ligações telefônicas entre Mizael Bispo e o vigia Evandro Bezerra da Silva, afirmou que o sistema é passível de erros. De acordo com a testemunha, a segunda chamada para o interrogatório do julgamento de Evandro, “nada é infalível”.
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“Não tenho como dizer onde a pessoa está, mas sim uma probabilidade de região. Tudo é passível de falhas. Esse sistema não é infalível”, afirmou Eduardo, que analisou as Estações de Rádio Base (ERBs), conhecidas popularmente como antenas, da região de Guarulhos.
O júri popular do vigia começou com um atraso de quase três horas nesta segunda-feira, no Fórum de Guarulhos, em São Paulo. Ele é acusado de ter colaborado com a fuga de Mizael Bispo, condenado em 14 de março a 20 anos de prisão pela morte da ex-namorada Mércia.
A acusação sustenta que Evandro não teve participação direta na morte, mas que sabia que Mizael tinha a intenção de cometer o crime. Porém, a defesa do vigia alega que ele confessou ter participado do crime sob tortura. Mércia foi vítima de disparos de arma de fogo e lançada, no interior de seu veículo, dentro de uma represa no município de Nazaré Paulista, na Grande São Paulo.
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Segundo o relatório do especialista, Evandro realizou 17 ligações das 17h às 18h22 no dia do crime, 23 de maio de 2010. A antena que registrou essas ligações estavam próximas ao posto de gasolina em que Evandro trabalhava e onde ele e Mizael se encontravam, segundo a acusação. Depois disso, após as 19h, outras dez ligações foram realizadas de uma antena mais distante.
O advogado de defesa Ricardo Panzeta insistiu na brecha conquistada pela defesa sobre as ligações entre os dois, o que irritou o promotor Rodrigo Merli. Neste momento, a juíza Maria Gabriela Riscali precisou intervir e, em um tom mais ríspido, afirmou que os debates ainda não haviam começado.
O caso
A advogada Mércia Nakashima desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos, e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela foi ferida a tiros, mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.
Ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima). Em 14 de março deste ano, Mizael foi condenado a 20 anos de prisão pela morte de Mércia.
A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local. Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura.