Chefe de milícia alugou mansão para se refugiar da polícia
As investigações do serviço de inteligência da Draco, com apoio da 58ª DP (Posse), mostram que o sargento da PM Juracy Alves Prudêncio, chefe da milícia Bonde do Jura, preso na quinta-feira, chegou a alugar uma casa em Angra dos Reis, no luxuoso Condomínio do Frade, para escapar da polícia. Afastado do trabalho, ele pagava R$ 4 mil por mês pelo imóvel.
Na Operação Descarrilamento, que prendeu 11 acusados de integrar o grupo paramilitar - sendo nove PMs -, duas equipes da Polícia Civil chegaram a seguir para a Costa Verde, mas Jura acabou preso em casa, no bairro da Palhada, Nova Iguaçu.
"Ele chegou a comentar com comparsas sobre seus vizinhos: 'é juiz de um lado, promotor de outro e eles não sabem o problema que têm no meio'", contou um agente.
Jura chegou a ser investigado pela Delegacia de Polícia Federal de Nova Iguaçu. A PF fechou uma empresa clandestina de segurança, que pertenceria ao sargento.
Tentativa de entrar para política
Segundo candidato a vereador mais votado em Nova Iguaçu ano passado - mas que não foi eleito porque seu partido não conseguiu votos suficientes -, Jura não foi o único acusado que tentou entrar para a política. O cabo André Barbosa Cabral, que é investigado por homicídio, também concorreu ao cargo pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que apoiou o prefeito Lindberg Farias.
"Quando o prefeito vai para a rua, a maior parte dos candidatos a vereador vai junto. Me lembro muito dele como candidato, mas só vim saber do seu suposto envolvimento no começo deste ano", diz Lindberg.
Em 2006, o chefe do bando esteve lotado no gabinete do ex-deputado estadual e atual secretário de Obras de Nova Iguaçu Walney Rocha. Depois, foi transferido para a coordenadoria militar da Alerj.
Segundo o relatório final da CPI das Milícias, da Alerj, Jura teria ameaçado o deputado federal Nelson Bornier por não ter conseguido se eleger. "Recebi apoio de mais de 280 candidatos. Ele foi mais um. São eles que me apoiam. Não me preocupo com quem me apoia, se é branco, negro, bom ou mau", afirma Bornier.
Jipe com placa da Bolívia
Segundo o serviço de inteligência da Draco, um dos foragidos, o ex-PM José Carlos Valle da Silva, conhecido como Valle, circula pela Baixada Fluminense com um jipe Cherokee com placa da Bolívia. Apontado como dono da CooperVitória, ele cobrava semanalmente R$ 150 para as 15 vans que faziam o percurso Comendador Soares - Nova Iguaçu.
Motoristas de outros cinco veículos, transferidos para uma linha pirata que só rodava na madrugada, eram obrigados a pagar uma taxa menor, de R$ 75. Valle ainda está foragido.
Além do ex-PM, os outros procurados são Washington das Neves Melo e Ubiraci Araújo da Fonseca.