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Advogado diz que irá recorrer: Bruno teme por segurança na cadeia

8 mar 2013 02h07
| atualizado às 10h01
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<p>O advogado Luiz Adolfo, da defesa de Bruno, durante a sessão de segunda-feira, primeiro dia do julgamento.</p>
O advogado Luiz Adolfo, da defesa de Bruno, durante a sessão de segunda-feira, primeiro dia do julgamento.
Foto: Marcelo Albert / TJMG / Divulgação

O goleiro Bruno Fernandes recebeu o resultado de sua condenação a 22 anos e três meses de prisão com tristeza e consternação, segundo seu advogado, Lucio Adolfo. Ele informou que vai recorrer da decisão proferida pela juíza Marixa Rodrigues, e que pretende reduzir ainda mais a pena aplicada ao ex-jogador do Flamengo.

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“A dosimetria aplicada pela juíza me incomodou. O Macarrão teve redução da pena por homicídio em torno de 40%. Hoje, o Bruno teve uma atenuante em torno de 15%. Ele não foi premiado como o Macarrão”, afirmou, em entrevista coletiva após o fim do julgamento em que Bruno era acusado de matar sua ex-amante, Eliza Samudio.

Antes, Adolfo afirmou que o cliente está temerosa em retornar ao cárcere: "ele está um pouco temeroso, com medo de voltar para o Nelson Hungria, porque corre risco devido ao que falou no julgamento. O Estado não se preocupa com a segurança do Bruno, nem da Dayanne e nem de ninguém", disse.

Diferentemente dos últimos dias, quando apresentou postura mais humilde, Bruno ouviu sua sentença de cabeça erguida, encarando a juíza. Depois de ouvir o resultado, deixou o plenário de cabeça baixa.

Adolfo destacou que ainda confiava na possibilidade de absolvição de Bruno, mas comentou que o resultado ficou próximo de outro cenário que ele traçava. Frisou, no entanto, que não estava satisfeito com a sentença dada pela juíza.

Sobre acusações do promotor Henry Wagner de que Bruno teria ligações com o tráfico de drogas, Adolfo negou, alegando que Bruno era um atleta, que levava uma vida saudável, ligada ao futebol. Aproveitou para alfinetar o promotor.

“Futebol é coisa de homem, e não é matéria dele”, observou, em relação a Henry Wagner.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. O julgamento de Bruno e de Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi remarcado para 4 de março de 2013. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013. 

Fonte: Terra
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