Cadu de Lula é eleito governador do Rio Grande do Norte; saiba quem é
Auditor fiscal deixou a Secretaria da Fazenda em 2026 e venceu sua primeira disputa eleitoral pelo comando do estado
Cadu de Lula (PT) foi eleito governador do Rio Grande do Norte com 50,70% dos votos válidos, superando Allyson Bezerra (União Brasil) em sua primeira eleição. Apoiado pelo presidente Lula e pela governadora Fátima Bezerra, o auditor fiscal de 48 anos e ex-secretário da Fazenda teve papel de destaque nacional nas discussões da reforma tributária pelo Comsefaz. Ele conquistou a virada no segundo turno com foco na responsabilidade fiscal, saúde, segurança e ampliação do ensino em tempo integral.
Cadu de Lula (PT) foi eleito governador do Rio Grande do Norte neste domingo (25), com 50,70% dos votos válidos, o equivalente a 1.066.090 votos. O adversário Allyson Bezerra (União Brasil) ficou com 49,30%, somando 1.036.452 votos.
Aos 48 anos, Carlos Eduardo Xavier chega ao comando estadual justamente na primeira eleição de sua carreira. Antes de entrar na disputa eleitoral, ele acumulou mais de duas décadas no serviço público e passou sete anos em funções ligadas à tributação e às finanças do Rio Grande do Norte.
Cadu de Lula construiu carreira no serviço público
Nascido no Rio de Janeiro, Cadu vive no Rio Grande do Norte desde a infância. Formou-se em Engenharia de Computação e concluiu mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A carreira no serviço público começou em 2005, quando ingressou como auditor fiscal do Tesouro Estadual. Ao longo dos anos, atuou em áreas de fiscalização e também exerceu funções técnicas e de coordenação. Em 2019, no início do governo de Fátima Bezerra (PT), assumiu a Secretaria Estadual de Tributação.
Quatro anos depois, uma reorganização administrativa reuniu as áreas tributária e financeira na Secretaria de Estado da Fazenda, que passou a ser comandada por Cadu. No cargo, ficou responsável por temas ligados à arrecadação, ao caixa estadual e à política fiscal. Permaneceu na pasta até 2026, quando deixou o governo para entrar na disputa pelo Executivo.
Reforma tributária ampliou projeção nacional
Entre 2023 e 2025, Cadu presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). A função ampliou sua participação em discussões nacionais sobre a reforma tributária. Ele integrou debates envolvendo o novo Imposto sobre Bens e Serviços, a transição entre sistemas tributários e a distribuição da arrecadação entre estados e municípios.
Ademais, o político defendeu o princípio do destino, pelo qual a arrecadação acompanha o local onde ocorre o consumo. A mudança tende a favorecer estados com menor concentração industrial e maior participação como mercados consumidores, entre eles o Rio Grande do Norte.
Campanha reforçou ligação com Lula e Fátima Bezerra
A candidatura representou uma tentativa de manter o projeto político iniciado pelo PT no estado em 2019. O político contou com o apoio da governadora Fátima Bezerra e adotou na urna o nome "Cadu de Lula", reforçando também sua ligação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao apresentar a própria trajetória durante a campanha, ele destacou a experiência acumulada dentro da administração estadual: "Eu sou Cadu Xavier, o Cadu de Lula, o Cadu do PT. Mais de 20 anos como servidor e mais de 7 anos no governo da professora Fátima. Juntos, colocamos os salários em dia, investimos na segurança e eles estão fazendo o maior programa de recuperação de estrada da história do nosso Estado".
A chapa teve Larissa Rosado (PSB) como candidata a vice. A coligação reuniu PDT, PSB e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Saúde, educação e segurança estiveram entre as propostas
Na saúde, Cadu defendeu ampliar os recursos destinados ao setor, fortalecer hospitais do interior, expandir a telemedicina e criar centrais regionais de diagnóstico. Para a educação, apresentou a proposta de levar o ensino em tempo integral a todas as escolas estaduais e acrescentar R$ 50 ao benefício destinado aos estudantes atendidos pelo Pé-de-Meia.
Na segurança pública, prometeu implementar videomonitoramento nos 167 municípios, aumentar a integração entre as forças policiais e manter concursos e convocações de agentes. A área fiscal também permaneceu entre os principais pontos do programa. Cadu propôs limitar o crescimento das despesas a, no máximo, 80% do avanço da receita e defendeu elevar a arrecadação por meio da expansão econômica, sem aumentar impostos.
Virada eleitoral veio depois de primeiro turno apertado
Cadu chegou ao segundo turno após uma disputa equilibrada. Na primeira etapa, recebeu 718.300 votos, equivalentes a 36,16% dos válidos. Allyson Bezerra terminou na frente, com 36,94%. A diferença entre os dois foi de apenas 15.509 votos. O desempenho levou o petista à etapa decisiva depois de ter começado a campanha atrás dos principais adversários nas pesquisas.
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