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PF apura suposto desvio de emendas para bancar filme "Dark Horse"

10 set 2026 - 11h51
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Resumo
A Polícia Federal e a CGU deflagraram a Operação Make Up para apurar supostos desvios de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro no financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra 29 pessoas, tendo como alvos o deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama. A obra também é alvo de inquéritos no STF que investigam repasses milionários articulados pelo senador Flávio Bolsonaro via Banco Master e delações sobre pagamento de propinas.

Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão em três estados e no DF. Deputado Mario Frias e produtora do filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro são alvos da ação.A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (10/09) uma operação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ação da PF tem como alvo 29 pessoas que teriam participado de esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares
Ação da PF tem como alvo 29 pessoas que teriam participado de esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares
Foto: DW / Deutsche Welle

A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e no Distrito Federal na operação batizada de Make Up, termo em inglês para maquiagem. A ação tem como alvo 29 pessoas que teriam participado de um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

A PF suspeita que uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos públicos inicialmente repassados a uma entidade da sociedade civil e posteriormente direcionados a empresas subcontratadas irregularmente, sem que houvesse comprovação de que os serviços foram prestados.

Os investigadores identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema. Segundo a PF, as tentativas de ocultar os recursos desviados das emendas continuaram até julho.

A polícia investiga os crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade documental, peculato (desvio de bens e valores aos quais um funcionário público tem acesso devido ao cargo que ocupa) e crimes licitatórios.

Mario Frias e produtora sob suspeita

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) - ex-secretário especial da Cultura no governo de Jair Bolsonaro - e a produtora do filme Karina Gama são alvos da operação, que incluiu buscas no Instituto Conhecer Brasil (ICB) e na Academia Nacional de Cultura (ANC), duas instituições de propriedade de Gama.

Uma auditoria realizada pela CGU apontou suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para as entidades de Karina, como gastos não comprovados.

O ICB é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A entidade tem um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia da cidade até junho de 2025. Até o momento, porém, apenas 3,2 mil foram instalados.

Ao menos três aditivos mudando a data de entrega do serviço foram assinados.

"Dark Horse" no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza atualmente duas investigações em torno do filme Dark Horse, ainda não lançado,

Uma delas, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que teria sido desviado para entidades e empresas ligadas à produtora do filme.

O outro inquérito, cujo relator é ministro André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a pedido do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Alguns desses repasses foram enviados para o fundo Havengate nos Estados Unidos, e teriam sido empregados no financiamento do filme. Há suspeitas de que o fundo também teria sido utilizado para custear o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde fevereiro de 2025.

Vorcaro teria pagado R$ 61 milhões para a produção de Dark Horse entre fevereiro e maio de 2025, como parte de um cronograma de aportes acertado com Flávio que abarcava cerca de R$ 134 milhões para o filme.

Flávio afirma que atuou apenas na busca de investidores para uma obra sobre a história de seu pai. Segundo o senador, os recursos discutidos eram exclusivamente privados, sem participação de verbas públicas, e não houve oferta de qualquer vantagem em troca de aportes financeiro.

Responsável por "gerar" dinheiro para propinas

Mendonça homologou nesta quarta-feira o acordo de delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele é o proprietário da empresa Entre Investimentos, que, segundo as investigações, fez repasses para a produção de Dark Horse a mando de Vorcaro.

O ministro vem sendo pressionado para avançar no inquérito que apura os repasses para filme. Ele se tornou o centro de uma crise institucional dentro do Supremo, envolvendo uma troca de denúncias entre ele e o também ministro do STF Alexandre de Moraes, com desdobramentos na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na PF.

Segundo apuração da jornalista Andréia Sadi, publicada em seu blog no portal de notícias G1, Mineiro afirmou em sua delação que ele era responsável por "gerar" dinheiro para a equipe de Vorcaro. Esse dinheiro, segundo ele, seria utilizado para o pagamento de propinas.

O empresário disse ter feito sete repasses a título de "subscrições de cotas" - processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores - para o fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025, totalizando 12,333 milhões de dólares. Em setembro de 2025, essa quantia equivalia a R$ 62,8 milhões.

Os valores foram pedidos a Vorcaro diretamente por Flávio Bolsonaro.

A delação premiada é um instrumento utilizado em investigações criminais por meio do qual o investigado se dispõe a cooperar com as investigações, podendo receber em troca alguns benefícios concedidos pelo Estado.

Nesta quarta-feira também foi firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) a colaboração de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag Investimentos, no âmbito das investigações sobre um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

rc/md (ots)

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