Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brasil

Publicidade

Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre corrupção e segurança em 1º debate

Candidatos duelaram na TV a uma semana do 2º turno das eleições presidenciais

19 out 2026 - 00h00
(atualizado às 00h13)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
No primeiro debate do 2º turno de 2026 promovido pela Band, Lula e Flávio Bolsonaro trocaram duras acusações centradas em corrupção, investigações familiares e segurança pública. Flávio focou em propostas de tolerância zero ao crime organizado e criticou a economia. Já Lula defendeu suas ações contra fraudes, cooperação na segurança e a continuidade de políticas de inclusão e emprego. O embate direto refletiu o clima tenso de uma disputa eleitoral acirrada às vésperas da votação decisiva.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram, neste domingo (18), o primeiro debate televisionado entre os candidatos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Promovido pelo Grupo Bandeirantes, o encontro foi marcado por interrupções, provocações pessoais e acusações mútuas sobre corrupção, segurança pública e economia, a uma semana da votação, marcada para 25 de outubro.

Ao longo de mais de uma hora e meia, os candidatos apresentaram propostas para diferentes áreas, mas concentraram boa parte do confronto em ataques aos adversários e questionamentos sobre investigações envolvendo suas respectivas famílias.

Logo no início, Flávio mencionou as investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, que é alvo de três investigações distintas e enfrenta acusações de corrupção.

Lula respondeu que os casos estão sob análise judicial e cobrou explicações do senador sobre a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além do pedido de R$ 134 milhões relacionado ao financiamento do filme "Dark Horse" sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio é investigado no caso e nega irregularidades.

O presidente também criticou a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos e mencionou o irmão do senador, Eduardo, que está no país, afirmando que "ele fugiu para os EUA para conspirar contra o Brasil."

Flávio, por sua vez, acusou o governo federal de corrupção e questionou sua atuação diante das fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lula afirmou que o esquema foi identificado e combatido durante sua gestão.

Uma das trocas mais tensas ocorreu quando Flávio questionou por que 75% dos presos votariam em Lula. Na sequência, o petista respondeu que aceitaria até o voto de Jair Bolsonaro.

"Eu gostaria que 100% deles votassem em mim. Aceito o voto do seu pai também ? Jair, vote em mim; você sabe que sou melhor do que o seu filho", rebateu o atual presidente.

Em outro momento, Flávio acusou Lula de defender organizações criminosas, enquanto o petista questionou as propostas do adversário para o país.

Ao longo do debate, Lula tentou fazer perguntas diretas ao seu oponente, que evitou respondê-las. Em vez disso, Flávio ? mal olhando para o petista ? contra-atacou, concentrando-se obsessivamente em seus temas de preferência, especialmente a segurança.

"Lula é amigo de terroristas; ele defendeu organizações criminosas em diversas ocasiões", repetiu.

Na sequência, Flávio prometeu declarar guerra ao narcotráfico, classificar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas e endurecer as penas para criminosos. Também defendeu a redução da maioridade penal e medidas mais rigorosas contra autores de crimes violentos.

Lula, por sua vez, defendeu a atuação conjunta da União, dos estados e dos municípios no combate ao crime organizado e citou a Lei Antifacção e a proposta de ampliar a participação federal na área, além de sustentar que a repressão deve alcançar tanto os grupos que controlam territórios quanto os integrantes envolvidos em esquemas financeiros.

Na economia, Lula apostou na continuidade de políticas de incentivo ao emprego, aos pequenos negócios e à inovação. Ele defendeu investimentos nos setores digital, verde e criativo e afirmou que o crescimento econômico e a circulação de renda são fundamentais para ampliar oportunidades e reduzir o endividamento.

Por sua vez, Flávio criticou a dívida pública, os juros e o preço dos alimentos, prometendo cortes de gastos e medidas para ajudar famílias endividadas. O senador também questionou o modelo econômico do governo e afirmou que pretende combater a corrupção e reorganizar as contas públicas.

Ao discutir o cenário internacional, Lula questionou se o adversário pretendia adotar no Brasil medidas semelhantes às do presidente argentino, Javier Milei. Flávio não respondeu diretamente e defendeu que governos de direita precisam corrigir problemas deixados por administrações de esquerda.

"Se você vencer, seguirá o modelo da 'motosserra' de Milei ? aquele que está levando a Argentina à fome?", questionou o petista. "E qual modelo você segue?", retrucou Flávio.

Na sequência, Lula respondeu: "O 'modelo Lula' ? um no qual a economia cresce e que impulsionou o maior plano de inclusão social da história deste país".

O debate também abordou saúde pública, produtividade, tecnologia e relações com os Estados Unidos. Flávio propôs integrar informações de pacientes por meio de um prontuário eletrônico único e ampliar o uso da telemedicina e da inteligência artificial no Sistema Único de Saúde (SUS).

Já Lula criticou a gestão da saúde durante o governo Bolsonaro, especialmente na pandemia de Covid-19, e defendeu o fortalecimento do sistema público.

Sobre a jornada de trabalho, Lula questionou a posição do senador em relação ao fim da escala 6x1. Flávio afirmou que mudou de entendimento após ouvir trabalhadores durante a campanha e negou a intenção de alterar a proposta.

Na discussão sobre produtividade, o presidente destacou investimentos em inovação, indústria e formação profissional, enquanto o senador defendeu a expansão da conectividade, a capacitação de trabalhadores e o financiamento de novos negócios.

Em relação aos Estados Unidos, Lula questionou a proximidade de Flávio com o governo americano e levantou preocupações sobre a exploração de terras raras brasileiras.

O senador negou ter atuado contra interesses nacionais e afirmou que busca ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Nas considerações finais, Lula defendeu a continuidade de seu governo, com prioridade para a recuperação da indústria, o crescimento econômico e o fortalecimento das empresas estatais.

Já Flávio prometeu não fazer propostas que não possa cumprir, reiterou suas prioridades para a segurança pública e pediu votos para o segundo turno.

O confronto ocorreu em meio a uma disputa acirrada. Pesquisas Datafolha e Quaest divulgadas na semana anterior apontaram Flávio à frente de Lula numericamente, mas dentro da margem de erro. No primeiro turno, o senador terminou com aproximadamente 2,2 milhões de votos a mais que o presidente.

O próximo e último debate televisionado está previsto para sexta-feira (23), dois dias antes da votação. As campanhas devem intensificar a apresentação de propostas e a mobilização de eleitores na tentativa de conquistar os votos decisivos para garantir a vitória ao Palácio do Planalto. 

Ansa - Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra