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Homem finge câncer terminal para dar golpe em mulher que conheceu no Tinder e é condenado

Para tornar a história mais convincente, ele utilizava curativos e corantes vermelhos para simular episódios de vômito com sangue

27 jun 2026 - 04h59
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Golpista causou prejuízo superior a R$ 27 mil à mulher que conheceu no Tinder
Golpista causou prejuízo superior a R$ 27 mil à mulher que conheceu no Tinder
Foto: Reprodução

Um homem foi condenado pela Justiça de São Paulo após fingir estar com câncer em estágio terminal para enganar uma mulher que conheceu por meio do aplicativo de relacionamento Tinder. A decisão é da juíza Roberta Layaun Chiappeta de Moraes Barros, da 1ª Vara Criminal de São José dos Campos.

Segundo informações divulgadas no site jurídico Migalhas, o réu recebeu pena de 3 anos e 4 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de estelionato e furto qualificado mediante fraude. Além da condenação criminal, ele terá de pagar R$ 27,5 mil à vítima como reparação pelos prejuízos financeiros causados.

Doença falsa fazia parte do golpe

Segundo o processo, o relacionamento entre os dois começou após um contato pelo Tinder. Com o passar do tempo, o homem afirmou que enfrentava um câncer terminal e passou a encenar os supostos efeitos da doença para conquistar a confiança da vítima.

Para tornar a história mais convincente, ele utilizava curativos e bandagens, além de fotografias e corantes vermelhos para simular episódios de vômito com sangue.

A fraude também envolvia personagens fictícios. O condenado criou um suposto médico que mantinha contato com a mulher por mensagens e, posteriormente, inventou a figura de um advogado para reforçar a narrativa de que precisava de ajuda constante durante o tratamento.

Comovida com a situação, a vítima permitiu que o homem permanecesse em sua residência e chegou a transferir R$ 5 mil via PIX, após ele alegar que estava enfrentando problemas com seus cartões bancários.

Empréstimos foram feitos sem autorização

As investigações apontaram que o golpe não parou por aí. Enquanto a mulher realizava tarefas domésticas, o acusado pegou o celular dela e utilizou o reconhecimento facial para contratar empréstimos bancários em seu nome, sem autorização.

Os contratos somaram cerca de R$ 23 mil, valor que foi transferido para contas ligadas ao próprio investigado.

A vítima só descobriu a fraude dias depois, quando recebeu notificações das instituições financeiras sobre as operações realizadas.

Durante o processo, a irmã da vítima afirmou ter presenciado diversas situações que reforçavam a falsa doença. Segundo o depoimento, o homem utilizava curativos cenográficos e carregava recipientes com líquido vermelho para simular sangue.

Um policial militar que atendeu a ocorrência também relatou que o acusado admitiu ter recebido parte do dinheiro obtido com o golpe e mencionou a existência de outras pessoas que atuariam em práticas semelhantes.

Justiça destaca abuso da confiança

Na sentença, a magistrada ressaltou que as provas reunidas durante a investigação confirmaram a versão apresentada pela vítima. Ela observou que, ainda na fase policial, o réu confessou ter inventado a doença para despertar compaixão e obter vantagens financeiras.

A decisão também destacou a gravidade do abuso da boa-fé da vítima e o impacto emocional provocado pelo crime. Conforme registrado no processo, a mulher precisou iniciar tratamento psicológico após descobrir que toda a história havia sido uma encenação.

Além da pena de prisão, o condenado deverá indenizar a vítima em R$ 27,5 mil, valor correspondente ao dinheiro transferido via PIX e aos empréstimos contratados de forma fraudulenta em seu nome.

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