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Habeas Corpus escrito em papel higiênico é aceito no STJ

Documento feito por um preso do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros alega que a pena já foi concluída

22 abr 2015 - 07h06
(atualizado em 23/4/2015 às 08h56)
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Habeas Corpus foi escrito em uma folha de papel higiênico e entregue pelo correio
Habeas Corpus foi escrito em uma folha de papel higiênico e entregue pelo correio
Foto: STJ / Divulgação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou, pela primeira vez, um Habeas Corpus escrito em um papel higiênico por um preso. O material chegou ao prédio do tribunal na última segunda-feira (20) em uma carta simples enviada pelos Correios e endereçada ao presidente do STJ, ministro Francisco Falcão. O conteúdo da carta surpreendeu a equipe da Coordenadoria de Atendimento Judicial do tribunal, pois continha um pedido de habeas corpus, escrito de próprio punho por um preso, em aproximadamente um metro de papel higiênico, caprichosamente dobrado. 

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“Estou aqui há dez anos e é a primeira vez que vejo isso”, afirmou o chefe da Seção de Protocolo de Petições, Henderson Valluci, em nota divulgada pelo tribunal. A carta foi aberta pelo mensageiro Gilmar da Silva, que também ficou surpreso. “Achei diferente, foi a correspondência mais surpreendente que já vi aqui”, declarou.

O Habeas Corpus é conhecido no meio jurídico como “remédio heroico”, já que pode ser impetrado por qualquer pessoa, em qualquer meio, sem a necessidade de advogados. Seguindo o protocolo, o papel higiênico foi fotocopiado e digitalizado, para então ser autuado. Em breve, o processo será distribuído a um ministro relator.

Segundo o STJ, o autor está preso no Centro de Detenção Provisória Pinheiros I, em São Paulo (SP). Na peça, ele conta que participou de uma rebelião em 2006 e estaria encarcerado irregularmente há nove anos por um crime já prescrito. Ele pede liberdade.

O pedaço de papel higiênico utilizado será colocado no acervo do Museu do STJ, ao lado de outras peças curiosas, como um lençol utilizado por um detento em 2014 para formular seu pedido de liberdade.

Fonte: Terra
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