Equipe econômica de Flávio Bolsonaro cita "tecnologia" como resposta para desigualdade de renda
A equipe econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro defendeu o investimento em tecnologia e capacitação digital como estratégia central para combater a desigualdade de renda no país. A economista Daniella Marques criticou a atual política fiscal e juros altos, propondo a internet como meio de autonomia contra o assistencialismo. No mesmo evento, o ex-ministro Adolfo Sachsida reforçou a necessidade de um tripé focado em ajuste fiscal, produtividade e inclusão produtiva.
A economista Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, citou nesta terça-feira o investimento em tecnologia como resposta para a redução da desigualdade de renda entre pobres e ricos no Brasil.
Questionada pela Reuters sobre qual é a proposta do programa de Flávio Bolsonaro para a redução da discrepância de renda entre pobres e ricos no Brasil, Marques afirmou que o foco está na tecnologia.
"Hoje todos nós, seja o setor produtivo, seja o brasileiro, absorvemos o efeito da gastança deste governo, da maior taxa de juro real do mundo. Uma das maiores cargas tributárias do mundo está embutida nos preços e nas dívidas das famílias e das empresas", disse Marques em coletiva de imprensa, durante o Seminário Empresarial LIDE - Cenários do Brasil, em São Paulo.
"Então, a gente inverte esta lógica no programa, enxergando na internet a infraestrutura do futuro, levando oportunidade e dignidade e capacitação na palma da mão dos brasileiros para que eles possam crescer e não ser prisioneiros de programas de assistencialismo", acrescentou.
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro, Marques não se aprofundou na proposta, nem nos eventuais efeitos da tecnologia para a redução da discrepância de renda no país.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o rendimento médio mensal real de todas as fontes da população residente no Brasil alcançou R$3.367 em 2025, uma alta de 5,4% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o índice de Gini, que mede a desigualdade de renda entre os brasileiros, aumentou de 0,487 para 0,491 no ano passado. Quanto maior o índice, maior a desigualdade.
Ao responder ao mesmo questionamento sobre redução da discrepância de renda no Brasil, o consultor Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro, citou a necessidade de um "tripé econômico".
"Desafio urgente: consolidação fiscal. Desafio importante: aumento de produtividade. Terceiro (item do) tripé: inclusão social produtiva", citou Sachsida.
"Vamos precisar de um amplo programa de inclusão social para dar a chance para o brasileiro voltar a sonhar", acrescentou, sem se aprofundar.
Marques e Sachsida participaram do evento do LIDE ao lado de outros economistas, como Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, Cassiana Fernandez, economista-chefe do JP Morgan, e Felipe Salto, economista-chefe da Warren.
A organização do evento informou que economistas ligados ao PT também foram convidados para o evento, mas não aceitaram. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro lideram as pesquisas de intenção de voto para o Planalto.
(Edição de Isabel Versiani)
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