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Dezembro Vermelho no palco: 'Sentença de Vida' - uma comédia que desafia o estigma do HIV

Comédia inspirada na jornada da médica Marcia Rachid reflete sobre a vida com hiv com trechos de textos de Aderbal Freire-Filho, Emmanuel Nogueira, Flávio Marinho e Tim Rescala Dezembro Vermelho no palco: 'Sentença de Vida' - uma comédia que desafia o estigma do HIV

27 nov 2023 - 20h43
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Quatro décadas depois dos primeiros casos de aids registrados no mundo, o seu diagnóstico ainda é recebido com estigmas. Entender as bases desse preconceito estrutural que, mesmo com tantos avanços, inviabiliza vidas para ressignificar, por meio do humor, a forma como se lida com a doença são os pontos de partida da comédia "Sentença de Vida". O espetáculo faz curtíssima temporada no Teatro Firjan SESI, no Centro do Rio de Janeiro, de 04 a 19 de dezembro, segundas e terças, às 19h. A direção é do aclamado Gilberto Gawronski, que também divide o palco com as premiadas Clarisse Derzié Luz e a Drag Queen Suzy Brasil. A peça integra as ações pelo país referentes ao Dezembro Vermelho, campanha que chama a atenção para as medidas de prevenção, assistência e promoção dos direitos das pessoas que vivem com hiv/aids e outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

Foto: Gilberto Gawronski, Suzy Brasil, Marcia Rachid e Clarisse Derzié Luz (Crédito da Charles Pereira) / Diário do Rio

A montagem inédita acompanha a jornada da médica infectologista Marcia Rachid, símbolo no tratamento da aids/hiv no Brasil, tendo como base o seu livro homônimo, que descreve como foi viver, ao longo de mais de trinta anos, o impacto e os desdobramentos causados pela epidemia. A doutora é uma das fundadoras do Grupo Pela Vidda, um dos mais atuantes no país dedicado à valorização, integração e dignidade das pessoas que vivem com hiv/aids.

"A ideia é explorar o poder de ressignificação que o teatro tem. Queremos quebrar esse paradigma incapacitante com arte a partir da capacidade da Marcia de comover com suas histórias, mas também mostrar que o momento hoje é outro. A peça contamina o espectador de esperanças e de forças para transpor seus obstáculos. Os episódios narrados são histórias carregadas de sonhos, muito além de um olhar sobre uma epidemia e uma época marcada por medo e preconceito. E todas têm em comum o olhar sensível e humano de uma mulher que nos faz, sobretudo, acreditar na vida", explica o diretor e ator. 

Na elaboração desenvolvida por Gawronski, a encenação, mergulhada na estética de cultura Queer, se entrelaça a um roteiro dividido em quadros, que remete ao do teatro de revista. E os contos selecionados da obra de Marcia servem como fio condutor e ligação para a apresentação de textos curtos de dramaturgia de prevenção criados por Aderbal Freire-Filho ("Aquela Mina"), Emmanuel Nogueira ("O Diário de Nabucodonosor"), Flávio Marinho ("O Nosso Amor a Gente Inventa") e Tim Rescala ("Os Acrobatas do Sexo"). Eles integram a publicação "AIDS E TEATRO", organizado por Daniel Sousa e Marta Porto com prefácio de Dráuzio Varela. 

"Estamos em uma outra perspectiva em comparação a montagens como "Philadelfia" e "Angels in America". Aquilo foi um período e já houve uma mudança. Não uma mudança total, pois a aids ainda é vista por muitos como uma doença de gente promíscua, o que talvez ainda dificulte maiores investimentos em pesquisa para a sua cura. Veja a Covid-19, por exemplo, e o tempo que levou para já termos uma vacina. Por outro lado, e ainda assim, várias pessoas alcançaram um lugar de vida. O diagnóstico positivo deu a elas uma dimensão de busca por qualidade de vida, prevenção e cuidado", analisa Gawronski.

A estreia contará com a presença da equipe do Grupo Pela Vidda, que distribuirá material informativo sobre locais ou meios onde e como as pessoas podem fazer a testagem para diagnóstico do hiv.

A peça também presta uma homenagem a Lorna Washington, recentemente falecida e figura ímpar no histórico do Combate ao preconceito ao portador de HIV e figura emblemática nos primórdios do surgimento da epidemia no país.

Diário do Rio
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