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RJ: manifestantes se reúnem com presidente da Câmara durante ocupação

10 ago 2013
11h33
atualizado às 14h43
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Um grupo de cerca de 50 manifestantes permanecia ocupando o plenário da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro na manhã deste sábado. Eles estão no local desde a tarde de sexta-feira. No final desta manhã, um grupo de cerca de 15 representantes se reuniu com o presidente da casa, vereador Jorge Felippe (PMDB), para definir os rumos da ocupação.

A reunião terminou por volta das 13h30 sem que se fosse divulgado o seu teor ou resultado (a imprensa não teve acesso ao encontro). Os manifestantes permaneceram dentro da Câmara após o fim do encontro. 

Os manifestantes pedem a saída de Chiquinho Brazão e de Professor Uoston (ambos do PMDB) da presidência e relatoria, respectivamente, da CPI dos Ônibus. Os dois não foram signatários do requerimento do vereador Eliomar Coelho (Psol), mas acabaram sendo escolhidos para compor a direção dos trabalhos numa reunião rápida e sem a presença de boa parte das pessoas que foram à Câmara para tentar acompanhá-la.

Os manifestantes só pretendem sair do local se for realizada uma nova reunião, aberta para a população, e se nela for escolhido o vereador Eliomar Coelho para presidente - o que consideram ser uma tradição da casa. O vereador Chiquinho Brazão, no entanto, já afirmou que não pretende renunciar à presidência da CPI.

Os manifestantes passaram a noite no plenário da Câmara sem energia elétrica e com poucos alimentos, já que um cerco da Polícia Militar impedia a entrada de outras pessoas. Advogados da OAB tentaram negociar a saída dos manifestantes, mas só no final desta manhã conseguiram convencê-los a se encontrar com o presidente da casa.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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