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Procurador quer entender fenômeno e convida jovens para 'rolezinho no MP'

17 jan 2014 - 17h02
(atualizado às 17h21)
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O Ministério Público de São Paulo admitiu, nesta sexta-feira, que está diante de um fenômeno novo e "desconhecido", referindo-se ao chamado "rolezinho" feito pelos jovens nos shoppings paulistas. Para tentar resolver essa situação, o órgão afirmou que não tomará nenhuma medida prematura e prefere conversar com todas as partes para entender o motivo dessa manifestação.

Segundo o MP paulista, que já se reuniu com a Associação Brasileira dos Shopings Centers (Abrasce), uma conversa será marcada com os jovens na semana que vem, assim como com o Poder Público. "Estamos diante de algo desconhecido, de algo novo, de um fenômeno a ser compreendido. Não demos orientação nenhuma a ninguém, mas precisamos ouvi-los", disse disse Maurício Antônio Ribeiro Lopes, promotor de Habitação e Urbanismo.

Para ele, o caminho deve ser de "entendimento". Ele quer uma reunião com os jovens e o convite deve ser a todos: "Venham fazer um rolezinho no MP. Queremos conversar com eles porque é a casa deles."

A promotora de Justiça Luciana Bergamo, de Infância e Juventude, admitiu que não há uma solução jurídica para o fato e é por isso que o MP está fazendo essa "mediação".

"É uma questão muito ampla, que não se resolve só na busca pelo direito. É muito maior. As soluções jurídicas não dão conta. Começamos a pensar num processo de mediação entre os adolescentes, centros comerciais com a presença do poder público, sem ter a pretensão de verificar as causas que levam a esse tipo de conduta. Não sabemos se os jovens estão realizando algum tipo de protesto", disse a promotora.

O promotor de Habitação e Urbanismo afirmou que esse novo fenômeno força o poder público a repensar os espaços da cidade. Porém, o membro do MP fez questão de ressaltar que essas manifestações são completamente diferente das que ocorreram em junho de 2013, contra o aumento das tarifas do transporte coletivo.

"Esse movimento nos obriga a refletir e repensar os espaços da cidade, o conceito de rua, de espaço público, privado. É importante para a vida da cidade a compreensão desse momento como sendo completamente dos de junho. Eles têm origens e focos diferentes. Vamos olhar como uma critica à própria cidade. Ninguém é dono desse movimento. Estamos todos em busca da melhor condição de vida urbana", afirmou Maurício.

Luciana Bergamo afirmou que os shoppings estão no direito de procurar ajuda da Justiça para resolver esse problema. Porém, os centros comerciais não podem segregar quem entra no estabelecimento como foi feito há alguns dias no JK Iguatemi, quando proibiu a entrada de menores de idade desacompanhados de seus responsáveis.

"No momento em que o shopping busca um socorro da Justiça legitimamente, vemos que têm que zelar pelas suas instalações e pelos seus clientes. Esta medida é inadequada (não deixar entrar menores desacompanhados). O que o JK fez feriu isso. Ele escolheu quem ingressava em seu recinto", afirmou.

Mauricio Ribeiro ressaltou que o shopping é um ambiente privado e cabe ao dono do estabelecimento tomar as decisões. "Ele não pode escolher quem entra e quem não entra. Ele pode fechar as portas e não deixar ninguém entrar. Ele pode fechar indistintamente. Se o comerciante escolher fechar antes do tempo seu negócio ele que arque com as consequências", afirmou.

Fonte: Terra
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