Operação Lilliput: Polícia Civil cumpre 168 ordens judiciais contra a facção mais violenta do RS
Ação da Draco/DEIC mira esquema de lavagem de R$ 13 milhões em verbas públicas e busca lideranças em seis cidades do RS e de Santa Catarina
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (28), a Operação Lilliput para desarticular o braço financeiro e operacional da facção criminosa considerada a mais violenta do Rio Grande do Sul. Ao todo, 120 agentes cumprem 168 ordens judiciais nas cidades de Porto Alegre, Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, Charqueadas e Itajaí (SC).
Conduzida pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) do DEIC, a ofensiva tem como alvos principais Tiago Soares da Silva, conhecido como "Tiago Pequeno" — principal liderança do grupo em Cachoeirinha —, e Willian Ramos Silveira, o "Will". Este último, indiciado por 10 homicídios, é considerado foragido desde o final de maio, quando fugiu da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas após o suborno de um policial penal.
Empresas "fantasma" e contratos públicos
A investigação aponta que o grupo montou uma rede de empresas de fachada para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas, extorsões e jogos de azar. A principal empresa do esquema, voltada a serviços e construções, não possui sede física nem funcionários registrados, mas recebeu cerca de R$ 13 milhões em recursos públicos nos últimos três anos — R$ 10 milhões em Canoas e R$ 3 milhões em Cachoeirinha, segundo dados do Ministério Público de Contas (MPC/TCE).
Além dos mandados de busca e apreensão de veículos de luxo, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de R$ 81,5 milhões em contas bancárias e investimentos ligados aos investigados. Segundo o delegado Max Otto Ritter, diretor da Draco, a medida visa asfixiar o patrimônio da organização criminosa e interromper o fluxo de capital que financia a violência na Região Metropolitana.
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