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No carnaval de SP, bloco em Pinheiros ironiza tarifaço de Trump e destaca soberania nacional

Desfile, tradicional na folia de rua paulistana, traz músicas com crítica política e exalta orgulho de ser brasileiro

15 fev 2026 - 15h09
(atualizado às 15h51)
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O Bloco Bastardo desfila por Pinheiros, zona oeste de São Paulo, em seu 13ª carnaval neste domingo, 15. O grupo, que toca marchinhas próprias e canções clássicas, já havia saído no sábado, 15, e voltará às ruas na terça-feira, 17. Em 2026, o tema é "soberania nacional", sobre o orgulho de ser brasileiro e preservar a autonomia do Brasil.

Nesse ano, a marchinha tema buscou reforçar elementos brasileiros e latino-americanos, de cinema, vestuário, comida e bebida - e até o Zé Gotinha, símbolo das campanhas de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS). "Não me vendo, não te importo/sangue quente, sou real/minha pátria, nossa pinga vem/provar meu carnaval", diz um trecho.

Valentina Bucolieiro, de 26 anos, encarnou o Zé Gotinha no carnaval em Pinheiros
Valentina Bucolieiro, de 26 anos, encarnou o Zé Gotinha no carnaval em Pinheiros
Foto: Luís Filipe Santos/Estadão / Estadão

"Salve o mestre, o mascarado/chama tudo que é bastardo/minha penca de banana/mete taxa nos bacana", afirma outra parte da marchinha, que faz alusão ao momento geopolítico global, de tensões entre países e de instabilidade causada pelo presidente americano Donald Trump, que no último ano impôs altas tarifas a uma série de nações, incluindo o Brasil. Segundo os organizadores, o bloco sempre reage ao contexto sociocultural.

Outros foliões homenagearam memes das redes sociais, como a senhora que teria ido ao Aeroporto de Erechim, no Rio Grande do Sul, para esperar o ator americano Brad Pitt.

Maritza Queiroz, de 35 anos, e Raissa Azevedo, de 32, brincaram com a senhora de Erechim que foi buscar o Brad Pitt no Aeroporto de Erechim (RS)
Maritza Queiroz, de 35 anos, e Raissa Azevedo, de 32, brincaram com a senhora de Erechim que foi buscar o Brad Pitt no Aeroporto de Erechim (RS)
Foto: Luis Filipe Santos/Estadão / Estadão

O Bastardo saiu da rua João Moura às 14 horas e no meio do caminho cruzou com outro tradicional bloco da zona oeste, o Jegue Elétrico. A estimativa de público é de pelo menos 10 mil pessoas para cada um dos três dias.

Segundo a presidente do bloco, Ana Luiza Borges, o número de desfiles já foi maior (os quatro dias do feriado), mas reduziram para evitar o cansaço da maratona carnavalesca. A organização também realizou um "after" - festa privada paga, posterior ao bloco, no sábado - para arrecadar dinheiro e manter as atividades.

Lori Buena, de 24 anos, se fantasiou de Carmen Miranda
Lori Buena, de 24 anos, se fantasiou de Carmen Miranda
Foto: Luís Filipe Santos/Estadão / Estadão

O grupo contou com a experiência de carnavais anteriores para superar dificuldades financeiras neste ano, como a falta de verba de apoio da Prefeitura, segundo ela, "Somos um bloco independente, não temos financiamento externo constante", conta a organizadora, que é cientista social e sócia de uma empresa de consultoria.

A solução foi buscar outras fontes de receita, como fazer shows, vender bonés e campanhas virtuais de arrecadação. O Bastardo conseguiu entrar em edital de financiamento da Ambev e teve patrocínio de uma academia local.

Cortejo do bloco Jegue Elétrico, que desfila em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo
Cortejo do bloco Jegue Elétrico, que desfila em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

"Esse tipo de parceria nos deixa contentes porque reforça o aspecto comunitário do bloco, como movimento cultural do bairro em que os comerciantes e mais pessoas que estão no trajeto contribuem na perspectiva de também se beneficiarem dessa manifestação", diz Ana Luiza.

O Bastardo surgiu em 2013, como uma ala jovem do Vai Quem Qué, outro bloco tradicional de Pinheiros, que existe desde 1981. O nome Bastardo se dá pela ideia de que a "rua é a mãe de todos, e o pai é desconhecido". Além das marchinhas novas compostas para cada ano, o bloco tem hino fixo.

Estadão
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