Moradora relata ter sentido forte odor de gás antes da explosão e fez aviso: 'Moço, isso vai explodir'
Explosão deixou uma pessoa morta, três feridas --duas em estado grave-- e 46 imóveis interditados, no bairro do Jaguaré, zona oeste de SP
Uma moradora do bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo, relatou ter sentido forte odor de gás horas antes da explosão que deixou uma pessoa morta, três feridas --duas em estado grave-- e 46 imóveis interditados. Ao Terra, Maria de Fátima, de 64 anos, contou que avisou a equipe da Sabesp, que realizava uma obra de remanejamento de tubulação quando a rede de gás foi atingida.
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“Eu passei aqui na rua às 14h eu já tava fedendo a gás e estava só o pessoal da Sabesp. Eu falei assim: ‘moço, e esse fedor de gás?’ E ele disse que tinha perfurado a tubulação. Falei: ‘moço, mas isso vai explodir’. Como eu já imaginava que ia explodir porque a gente vê na televisão, eu, minha irmã e meu irmão ficamos no quintal”, explica.
A idosa afirma ainda que optou por não ficar dentro de casa com medo que desabasse. Por volta das 16h, o que ela temia ocorreu: uma explosão ocorreu na Comunidade Nossa Senhora das Virtudes 2, localizada na Rua Floresto Bandecchi, próxima à Rua Dr. Benedito de Moraes. Por causa disso, um homem foi encontrado morto e outras três pessoas ficaram feridas — duas delas em estado grave, segundo o Corpo de Bombeiros.
Com o impacto, a casa de Maria de Fátima sofreu algumas rachaduras e o forro caiu. A residência deve passar pela vistoria da Defesa Civil em breve, para saber se a estrutura do imóvel foi comprometida.
Sem esperança de resolução
Segundo a moradora, já se passaram mais de 10 horas após a explosão e sua casa ainda não foi vistoriada. Ela não acredita que o caso terá resolução. “A gente mora numa comunidade. Se fosse uma casa de rua, de parque continental, os prédios, iam fazer logo. Mas nós, favela? Duvido. Eu não acho isso que vão fazer, não”, declarou.
Durante uma coletiva na noite desta segunda-feira, 11, a Sabesp e a Comgás anunciaram a disponibilização de R$ 2 mil para os moradores que precisaram deixar suas casas e informaram que os desabrigados serão encaminhados para hotéis. Segundo as companhias, o valor será uma ajuda de custo emergencial até a conclusão do levantamento completo dos prejuízos.
Maria afirma à reportagem que fez o cadastro pela manhã, mas não recebeu nada até o momento. A quantia, de acordo com ela, servirá para pagar os reparos de sua residência. Ela acredita que sua casa não precisará ser desocupada, mas sente pelos vizinhos que perderam seus imóveis.
“Eu fico com dó do povo, do vizinho que morreu, do povo todo desabrigado. Eu moro aqui há 40 anos, a gente conhece todo mundo”, finaliza.
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