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Mercado de cerveja artesanal prevê retração e pede veto de substância tóxica ao governo

Produtores também querem criar um selo de qualidade para o setor. Crise com a Belorizontina, ligada a suspeitas de intoxicação de consumidores, fez ministério interditar cervejaria Backer

15 jan 2020
05h10
atualizado às 05h49
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SÃO PAULO - Diante da crise da Belorizontina, produtores de cerveja artesanal de Minas já preveem retração no mercado, mas se mobilizam para minimizar efeitos negativos da investigação e pretendem mostrar que o problema é um caso isolado. O grupo criou um comitê de crise na Federação das Indústrias do Estado e pediu ao governo federal para proibir o dietilenoglicol - achado nos tanques da fábrica investigada - na produção da bebida. Eles também querem criar um selo de qualidade para o setor.

A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) enviou ofício ao Ministério da Agricultura com o pedido de veto ao composto químico, usado no processo de resfriamento na fabricação de bebidas. Em nota, a pasta confirmou o recebimento do pedido e disse que "iniciará os trâmites para discussão com órgão regulador", a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo Carlo Lapolli, presidente da Abracerva, o uso dessa substância tóxica é raro.

"Solicitamos que todos os produtores fizessem revisão do processo e estamos procurando saber quais outras cervejarias usam esse produto, que não é comum. Normalmente, em mais de 90% das cervejarias, se utiliza uma composição de álcool etílico com água potável para refrigeração."

Marco Falcone, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas de Minas (Sindibebidas), dá a dimensão do prejuízo para o mercado.

"Haverá retração, sem dúvidas", diz ele, lembrando que a Backer responde por cerca de metade da produção do Estado.

Conforme o Sindibebidas, Minas tem mais de 80 cervejarias artesanais, 55 filiadas e nenhuma delas usa o dietilenoglicol. O sindicato enviou carta aos associados para que se comprometam a nunca usar o composto.

"Crescemos cerca de 20% ao ano. Há grande rigor técnico. As pessoas às vezes podem confundir artesanal com caseiro. Mas para uma cervejaria ser registrada, há uma série de recursos que precisam ser aprovados."

O Ministério da Agricultura determinou na segunda-feira, 13, o recolhimento e a suspensão da comercialização de todos os produtos da Backer fabricados entre outubro de 2019 e 13 de janeiro de 2020. A medida vale também para chopes e atinge, no total, 21 rótulos. A venda está proibida até que seja descartada a possibilidade de contaminação dos produtos. A Backer foi interditada pelo próprio ministério da Agricultura no último dia 10, sexta-feira.

Produtores pretendem lançar selo de qualidade; SP minimiza impacto

O comitê de crise deve lançar nas próximas semanas um selo de qualidade para o consumidor. Ele mostrará as cervejarias que aderiram a todas as normas técnicas.

"Por enquanto é iniciativa do coletivo de cervejarias. Mas pedimos ao ministério que respalde as normas que adotamos que vão de acordo com instrução normativa da Abracerva", diz Falcone.

Presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais Paulistas (Acerva), Rodrigo Rosa acredita que a contaminação na Backer não deve causar grande impacto em São Paulo.

"Os produtores estão preocupados porque acham que devem respingar por aqui. Mas acho que os consumidores mais esclarecidos, que já consomem a cerveja artesanal, conseguem separar as coisas. Deve afetar o aumento do consumo, pois quem é leigo fica com o pé atrás", afirmou.

A Acerva Paulista tem hoje cerca de 140 associados. Rodrigo também disse desconhecer quem faça uso da substância que causou a contaminação.

"O momento agora é de não julgar ninguém. Temos de aguardar o fim das investigações para saber de fato o que aconteceu e onde aconteceu a contaminação. Foi um problema muito específico."

Rosa sugeriu uma nova medida para evitar que a tragédia se repita.

"Há um colorante que muda a cor da bebida se há substância tóxica. É algo que poderia ser cogitado. Mas concordo com a proibição desde já. A saúde tem de vir em primeiro lugar."

Estadão
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